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Internacional

Eleição em pequena região da Itália ganha caráter nacional

21/04/2018 13h17

CAMPOBASSO, 21 ABR (ANSA) - Existe uma piada recorrente entre os italianos dos grandes centros urbanos: "Molise não existe". No entanto, esta pequena região, a segunda menor e menos populosa do país, vai às urnas neste domingo (22), em uma eleição que ganhou caráter nacional devido ao impasse para a formação do novo governo.   

Das 7h às 23h, cerca de 300 mil eleitores votarão para definir o próximo governador de Molise, ainda no rescaldo das eleiçoes de 4 de março, que marcaram um significativo avanço dos partidos populistas na Itália.   

A disputa é restrita a quatro candidatos: Andrea Greco, do antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S); Carlo Veneziale, do Partido Democrático (PD), de centro-esquerda; Donato Toma, da coalizão de direita; e Agostino Di Giacomo, do grupo neofascista CasaPound.   

As sondagens, embora escassas, apontam para uma disputa apertada entre M5S e a aliança conservadora, justamente as duas forças que protagonizam as delicadas negociações para a formação do novo governo na Itália e pleiteiam para si a cadeira de primeiro-ministro.   

Luigi Di Maio, líder antissistema, e Matteo Salvini, secretário da ultranacionalista Liga, esperam que o resultado na pequena região possa reforçar sua posição em Roma. Com um terço do Parlamento em suas mãos, o M5S tenta tirar Salvini da coalizão de direita para formar um governo populista.   

Já o líder da Liga vem resistindo a romper a aliança com o moderado Silvio Berlusconi, por um lado para ter mais chances de se tornar primeiro-ministro, por outro para não perder o apoio do ex-premier nas regiões governadas pela legenda ultranacionalista, como Lombardia e Vêneto.   

No entanto, uma eventual vitória de Toma, que pertence ao Força Itália (FI), partido de Berlusconi, poderia dar novo vigor ao ex-Cavaliere e dificultar a autonomia política de Salvini.   

Junta, a coalizão de direita tem 42% do Parlamento; sozinha, a Liga possui 19% da Câmara e 18% do Senado, o suficiente para dar a maioria ao M5S, que se nega a governar ao lado de Berlusconi.   

Quem corre por fora é o PD, que vê em Molise uma chance cada vez mais distante de se recuperar da dura derrota sofrida em 4 de março.   

Nas eleições legislativas, o M5S obteve uma vitória esmagadora na região, com quase 45% dos votos proporcionais e levando a Roma quatro dos cinco parlamentares que representam os molisanos. O pleito em Molise será seguido, no dia 29 de abril, pela votação em Friuli-Veneza Giulia, no nordeste da Itália. As duas regiões são governadas atualmente pelo PD. (ANSA)
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