Líbano e Tunísia testam poder da democracia no mundo árabe

BEIRUTE E TÚNIS, 05 MAI (ANSA) - Em estágios diferentes de desenvolvimento e consolidação, duas democracias do mundo árabe vão às urnas neste domingo (6), em eleições que colocarão à prova o poder do voto em uma região marcada por guerras e autoritarismo.   

O Líbano, no Oriente Médio, com um modelo de democracia sui generis, renovará seu Parlamento depois de nove anos, enquanto a Tunísia, na África, fará seu primeiro pleito municipal depois da revolução que derrubou o ditador Zine El Abidine Ben Ali, em 2011.   

Poucos meses depois da "quase renúncia" do primeiro-ministro Saad Hariri, os libaneses votarão em um cenário de crise econômica, tensão regional e emergência humanitária, esta última por causa do 1 milhão de refugiados sírios acolhidos pelo país.   

A expectativa, no entanto, é que o voto mantenha a atual divisão de forças: de um lado, Hariri, do Movimento Futuro e próximo à sunita Arábia Saudita; do outro, o eixo xiita Amal-Hezbollah, ligado ao Irã e ao regime de Bashar al Assad.   

Depois das eleições, espera-se que os dois lados formem um governo de união nacional, provavelmente guiado por Hariri, como já acontece hoje. As últimas eleições parlamentares no país ocorreram em 2009. Após a conclusão de seu mandato, em 2013, a atual legislatura decidiu ficar no poder por causa das fortes tensões que chacoalhavam o Líbano no auge da guerra civil síria.   

Cerca de 3,6 milhões de eleitores estão aptos a votar, mas a participação no país é tradicionalmente baixa. Quase 600 candidatos disputam 128 assentos, distribuídos igualmente entre cristãos e muçulmanos. Do total de postulantes, 86 são mulheres, ainda pouco, mas um avanço em relação às 12 de nove anos atrás.   

Também há um crescimento notável de candidatos independentes, insatisfeitos com a elite política libanesa.   

As vagas no Parlamento do Líbano são distribuídas de acordo com a representatividade de cada religião. Do lado cristão, são 34 para maronitas, 14 para greco-ortodoxos, oito para greco-católicos, cinco para armênio-ortodoxos, uma para protestantes, uma para armênio-católicos e uma para minorias, que incluem católicos latinos, coptas, assírios, caldeus e siríacos.   

Do lado muçulmano ou islâmico, são 27 para xiitas, outras 27 para sunitas, oito para drusos e duas para alauitas.   

Primavera Árabe - Na Tunísia, um dos teatros da Primavera Árabe, a democracia é mais jovem e sofreu diversos ataques, inclusive terroristas, desde o fim da ditadura, mas vem conseguindo se manter em pé.   

Mais de 50 mil candidatos, 52% deles com menos de 35 anos e 49% de mulheres, disputarão vagas nas prefeituras e conselhos municipais de 350 cidades. O partido islâmico Ennahda e o secular Nidaa Tounes são os mais representados em todas as regiões.   

As eleições municipais serão acompanhadas por 6 mil observadores locais e estrangeiros, inclusive da União Europeia, que enviou uma missão com 120 membros liderada pelo italiano Fabio Massimo Castaldo.   

O pleito serve de preparativo para as eleições legislativas e presidenciais de 2019, e a principal preocupação das lideranças políticas tunisianas é alcançar uma participação significativa da população, o que seria um sinal de apoio ao percurso democrático do país.   

"Será um dia extraordinário. A Tunísia consolidará sobretudo seu caminho no processo democrático", disse o presidente Beji Caid Essebsi, em um apelo para que os cidadãos compareçam às urnas.   

"Amanhã se vota no Líbano e na Tunísia. Dois países esplêndidos e amigos, de absoluta importância estratégica. Dois países árabes democráticos. Boa sorte", escreveu no Twitter o primeiro-ministro da Itália, Paolo Gentiloni, um dos mais interessados na pacificação do Mediterrâneo, via de escape para centenas de milhares de refugiados rumo à Europa. (ANSA)
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