Populistas rechaçam 'governo neutro' na Itália

ROMA, 07 MAI (ANSA) - O apelo do presidente da Itália, Sergio Mattarella, pela formação de um governo "neutro" que aprove o Orçamento de 2019 e leve o país às urnas no início do ano que vem não será atendido.   

Tanto o antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S) quanto a ultranacionalista Liga rechaçaram veementemente essa hipótese e cobraram a convocação de eleições já para julho, em pleno verão europeu.   

"Não daremos confiança a um governo 'neutro', sinônimo de governo técnico. Que se vote em julho!", escreveu no Twitter o líder do M5S, Luigi Di Maio. "É fundamental que o voto dos italianos seja respeitado. Ou um governo de centro-direita, ou eleições o antes possível. Não há tempo a perder", reforçou o secretário da Liga, Matteo Salvini.   

Juntos, os dois partidos, que não conseguiram costurar um acordo de governo, são suficientes para barrar a posse de qualquer primeiro-ministro, uma vez que teriam maioria estreita no Parlamento.   

Em seu discurso nesta segunda-feira, Mattarella cogitou convocar eleições para julho ou o outono europeu, entre setembro e dezembro, mas mostrando uma clara preferência pela segunda opção.   

A primeira data viável para realizar o pleito seria, de acordo com parlamentares, 22 de julho, quando muitos italianos já estarão de férias. Essa seria a primeira vez na história que o país teria eleições no auge do verão - no passado, votou-se no máximo em 27 de junho.   

Outro fato inédito seria o de ter duas votações para o Parlamento no mesmo ano. Por lei, o presidente da República deve dissolver o Legislativo entre 45 e 70 dias antes da data fixada para as eleições. Considerando o mínimo, a legislatura precisaria ser encerrada até 7 de junho para permitir o voto em 22 de julho.   

No entanto, o Ministério do Interior diz precisar de pelo menos dois meses para organizar o pleito, principalmente por causa do processo eleitoral no exterior, cujo voto é por correspondência.   

Ainda que Mattarella opte pelo outono, também seria um fato inédito, já que as eleições na Itália sempre ocorreram entre fevereiro e junho.   

"Quem pede o voto no verão não liga para a democracia, porque fazer o país votar em julho significaria impedir uma parcela importante de participar", declarou o presidente do Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, Matteo Orfini. (ANSA)
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