Populistas reabrem conversas para formar governo na Itália

ROMA, 29 MAI (ANSA) - A crise política que paralisa a Itália desde as eleições legislativas de 4 de março pode ter mais uma reviravolta nos próximos dias. Com a perspectiva de uma nova votação em 29 de julho, renasceu nesta terça-feira (29) a hipótese de um governo entre o antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S) e a ultranacionalista Liga.   

Os dois partidos negociaram até o último domingo (27), quando o presidente Sergio Mattarella se recusou a nomear um professor eurocético, Paolo Savona, como ministro de Finanças, irritando os líderes do M5S, Luigi Di Maio, e da Liga, Matteo Salvini, que não abriram mão de sua indicação.   

Com a perspectiva de iniciar uma nova batalha eleitoral, Di Maio chegou até a aventar a possibilidade de pedir o impeachment de Mattarella, mas voltou atrás nesta terça e agora diz estar pronto a mudar de opinião.   

"Estamos prontos a rever nossa posição. Se erramos em alguma coisa, o diremos, mas é preciso respeitar a vontade do povo, porque nós queremos salvar a Itália. Há uma maioria no Parlamento, deixem o governo começar. Não queremos mais governos técnicos", declarou Di Maio durante um comício em Nápoles, após dois dias vociferando contra o presidente.   

No Parlamento, já circulam rumores de uma proposta alternativa para resolver o impasse do Ministério das Finanças: entregar a economia italiana a Carlo Cottarelli, justamente o nome escolhido por Mattarella para guiar um governo "técnico" até as próximas eleições, seja no segundo semestre, seja em 2019.   

Para recompensar Salvini, o M5S teria de ceder o cargo de primeiro-ministro para a Liga, provavelmente a Giancarlo Giorgetti, aliado mais próximo do líder ultranacionalista, porém tido como uma figura mais "institucional".   

É difícil acreditar que o Movimento 5 Estrelas aceite colocar um rosto profundamente identificado com a Liga no comando do governo, mas o fato é que o partido de Di Maio abriu as portas para as negociações.   

A legenda de extrema direita Irmãos da Itália (FDI), a menor das três que compõem a aliança conservadora com Salvini e Silvio Berlusconi, também mudou de ideia e agora se mostra disponível a participar de um gabinete com o M5S. "É preciso fazer de tudo para tirar a Itália deste caos", justificou a presidente do FDI, Giorgia Meloni.   

Falta ainda um sinal da Liga, que não parece ver com maus olhos a hipótese de novas eleições. Segundo as últimas pesquisas, o partido seria o mais beneficiado no caso de um pleito antecipado e poderia ganhar quase 10 pontos em relação aos 17% obtidos em 4 de março.   

Com isso, Salvini fortaleceria sua posição frente o M5S e o próprio Mattarella, que veria crescer a pressão para não impor vetos ao líder ultranacionalista. "Se vocês não desistem, eu não desisto. Podemos esperar um mês ou três, mas iremos ao governo", declarou o secretário da Liga durante um comício em Siena.   

Outro indício de que as negociações estão em curso é a decisão do primeiro-ministro encarregado, Carlo Cottarelli, de adiar em um dia a apresentação de seu governo "técnico". A decisão, anunciada sem maiores explicações, surpreendeu a imprensa italiana, que dava como certa a divulgação dos nomes dos ministros nesta terça. (ANSA)
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