Igreja suspende diálogo na Nicarágua após 'banho de sangue'

MANÁGUA, 01 MAI (ANSA) - A Conferência Episcopal da Nicarágua suspendeu mais uma vez o "diálogo nacional" proposto pelo presidente Daniel Ortega, após novos protestos contra o governo terem terminado com 15 mortos e mais de 70 feridos.   

A Igreja Católica atua como mediadora nas conversas entre Ortega e movimentos estudantis e de oposição, mas decidiu suspender as tratativas enquanto "se continuar negando ao povo nicaraguense o direito a se manifestar pacificamente". Segundo uma nota dos bispos do país, o povo está sendo "reprimido e assassinado".   

Na última quarta-feira (30), uma marcha convocada pelas mães de pessoas mortas em protestos desde abril terminou em um banho de sangue. O próprio governo reconhece um número de pelo menos 15 vítimas em Manágua, Estelí e Masaya.   

O Centro Nicaraguense para os Direitos Humanos (Cenidh) atribui a violência às "forças de ordem" e aos "grupos irregulares" que as apoiam. "Podemos afirmar de modo categórico que os agressores foram a polícia repressiva e as forças sob comando de Daniel Ortega e sua esposa, Rosario Murillo [vice-presidente do país]", diz.   

Desde 18 de abril, quando teve início a revolta contra o governo, mais de 100 pessoas já morreram em manifestações na Nicarágua, porém a gestão de Ortega nega tanto a responsabilidade pelos falecimentos quanto a existência de grupos paramilitares sandinistas.   

Uma das pessoas na mira das supostas milícias seria o bispo auxiliar de Manágua, Silvio José Báez, que recebeu proteção da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (Cidh) por conta das ameaças que ele e sua família vêm recebendo.   

Os atos na Nicarágua começaram por causa de uma reforma previdenciária, já engavetada pelo governo, mas prosseguiram devido à violenta repressão contra os manifestantes. Ortega, ex-guerrilheiro sandinista, está em seu quarto mandato como presidente, sendo o terceiro seguido, e comanda o país desde 2007. (ANSA)
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