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Kiev prende suspeito de planejar assassinato de jornalista

01/06/2018 09h40

MOSCOU, 01 JUN (ANSA) - A Justiça da Ucrânia determinou nesta sexta-feira (1) dois meses de prisão preventiva a um dos suspeitos de tentar organizar o assassinato do jornalista russo Arkadi Babchenko, que forjou sua própria morte na última terça-feira (29).   

O suspeito, chamado Boris Gherman, é diretor da Schmeisser, uma fábrica alemã de armas de fogo. Ouvido por um tribunal de Kiev, ele alegou que estava cooperando com a contra-inteligência ucraniana e afirmou que nenhuma assassinato contra Babchenko havia sido planejado. As autoridades do caso, no entanto, não acreditaram no depoimento. "Estamos diante das conseqüências da operação especial dos serviços de inteligência ucranianos agora. Eu estou cooperando com os serviços de inteligência na exposição dos esforços da Rússia no território deste país para substituir o poder do Estado. Estou fazendo isso há algum tempo", disse Gherman.   

Gherman ainda revelou que começou a trabalhar em conjunto com o serviço de inteligência ucraniana após um homem chamado Viaceslav Pivovarnik, que "trabalha para um fundo de Putin para organizar uma agitação na Ucrânia", entrar em contato com ele. O acusado ainda revelou que Pivovarnik forneceu-lhe uma lista com os nomes de 30 pessoas que Moscou queria que fossem mortos.   

Gherman afirmou que sabia "com antecedência" sobre a simulação da morte de Babchenko, mas ele devia fingir desconhecer do plano para obter mais informações de uma fonte russa.   

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que a história do falso assassinato de Babchenko e as tentativas de Kiev de culpar a Rússia como "uma ficção".   

Grande crítico do presidente da Rússia, Vladimir Putin, Babchenko denunciava a desestabilização da Ucrânia pelo Kremlin e escreveu diversas matérias sobre o conflito. O jornalista está em exílio em Kiev, já que relatou ter recebido diversas ameaças.   

O falso assassinato de Babchenko aconteceu no dia 29 de maio. A imprensa internacional chegou a publicar que o jornalista fora morto a tiros em seu apartamento em Kiev. No entanto, dois dias depois, ele apareceu ao vivo em uma coletiva de imprensa e revelou que tudo foi uma "encenação".(ANSA)
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