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Internacional

Ministro insinua que pode tirar escolta de Saviano

21/06/2018 16h25

ROMA, 21 JUN (ANSA) - O ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, insinuou nesta quinta-feira (21) que pode revogar a escolta do jornalista Roberto Saviano, jurado de morte pela máfia Camorra, após ele ter criticado sua política de tolerância zero contra migrantes.   

Em entrevista à emissora "RAI", Salvini disse que cabe às "instituições competentes" decidir se o escritor corre algum risco, mas acrescentou, em tom de ironia, que ele "passa muito tempo no exterior".   

"[As instituições] Avaliarão como se gasta o dinheiro dos italianos. Mando um beijão para ele [Saviano]", declarou o ministro. As frases provocaram reações furiosas na Itália e no exterior, por mirarem um jornalista que teve de fugir do país após a publicação do livro "Gomorra", que narra as entranhas da máfia napolitana.   

"O vice-premier italiano [outro cargo de Salvini] ameaça tirar a escolta de Roberto Saviano, uma ameaça de morte como chantagem por sua atividade jornalística", disse Paul Caruana Galizia, um dos filhos da repórter Daphne Caruana Galizia, assassinada em Malta no início do ano.   

Ele lembrou que, oito meses antes da morte de sua mãe, deputados do partido governista maltês haviam pedido para a polícia não protegê-la, apesar das ameaças que vinha recebendo por causa de suas reportagens investigativas.   

Após a repercussão, Salvini buscou encerrar o assunto afirmando que Saviano "é o último de seus problemas". "Não sou eu que decido sobre as escoltas, há organismos para isso. Não cabe a mim decidir. Eu digo apenas que a Itália detém o recorde europeu de serviços de escolta e vigilância", acrescentou, ressaltando que "alguns desses serviços podem ser revistos".   

Em um vídeo publicado no Facebook, Saviano respondeu às declarações do ministro do Interior e o chamou de "palhaço". "Na sua opinião, Salvini, eu sou feliz por viver assim há 11 anos? Tenho escolta desde os 26, mas você acha que me ameaça, que me intimida? Estive sob pressão enorme, a pressão do clã dos Casalesi, a pressão dos narcotraficantes mexicanos. Tenho mais medo de viver assim do que de morrer assim. E você acha que eu posso ter medo de você? Palhaço", disse.   

O escritor também acusou Salvini de ignorar a criminalidade organizada e de ter sido apoiado na Calábria pela 'ndrangheta, uma das máfias mais poderosas da Itália. "Durante um comício em Rosarno, nas primeiras fileiras havia homens da família Pesce, histórica família da 'ndrangheta, afiliados da família Bellocco, poderosíssima organização de narcotraficantes. E ele não disse nada, como covarde não disse nada contra a 'ndrangheta", acusou.   

Saviano ainda disse que a Itália é o país ocidental com mais jornalistas sob escolta porque tem as organizações criminosas "mais poderosas do mundo". "Mas Matteo Salvini, ministro do Interior, ao invés de combater as máfias, ameaça reduzir ao silêncio quem as expõe. Ministro do submundo", completou. (ANSA)
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