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Kavanaugh nega acusações de abuso sexual no Senado dos EUA

27/09/2018 19h36

WASHINGTON, 27 SET (ANSA) - O indicado ao Supremo Tribunal dos Estados Unidos, o juiz Brett Kavanaugh, apresentou nesta quinta-feira (27) uma defesa emotiva em sua declaração de abertura na Comissão Jurídica do Senado, negando as acusações de agressão sexual contra ele e criticando os democratas por "sabotarem" seu processo de confirmação.   

"Esse processo de confirmação tornou-se uma desgraça nacional", disse Kavanaugh, ressaltando que desde que foi indicado pelo presidente Donald Trump, em julho, "há um frenesi na esquerda para aparecer alguma coisa, qualquer coisa para me bloquear".   

Kavanaugh foi acusado pela primeira vez pela professora de psicologia da Universidade de Palo Alto da Califórnia, Christine Blasey Ford, a qual alega que o juiz a agrediu sexualmente durante uma festa quando os dois ainda eram adolescentes no Ensino Médio. "Isso é um circo. As consequências ficarão conosco por décadas.   

O que vai, volta", afirmou o magistrado. Mais cedo, Ford também prestou depoimento e disse que, na ocasião, acreditou que Kavanaugh tinha a intenção de estuprá-la, já que ele a agarrou para tirar sua roupa à força.   

"Não questiono que a doutora Ford tenha sido atacada sexualmente por alguém em algum lugar em algum momento. Mas não por mim.   

Nunca ataquei ninguém", afirmou ele, acrescentando que não deseja mal a acusadora.   

Durante seu depoimento, o juiz ainda disse que sua reputação foi "total e permanentemente destruída por falsas acusações". "Eu sou inocente desta acusação. Eu nunca agredi sexualmente ninguém. A agressão sexual é horrível", disse.   

No entanto, falando diante do comitê de senadores, a professora Ford descartou qualquer hipótese de identidade equivocada, como alguns de seus críticos sugeriram, dizendo que isso "absolutamente não" era o caso. Além disso, a suposta vítima disse que estava "aterrorizada" ao apresentar sua alegação contra Kavanaugh e que não há nenhum interesse político em tornar o episódio público.   

De acordo com Ford, no dia da festa, no início dos anos 1980, Kavanaugh e seu amigo, Mark Judge, estavam bêbados quando a imobilizaram. "Eu fui empurrada para a cama e Brett ficou em cima de mim. Ele começou a passar as mãos sobre o meu corpo e esfregar seu quadril em mim", relembrou.   

A psicóloga também afirmou que chegou a gritar para pedir ajuda, mas não foi ouvida. Ela declarou ter esquecido alguns detalhes do incidente, mas tem certeza absoluta que Kavanaugh é culpado. "Por muito tempo, fiquei com muito medo e vergonha de contar os detalhes para alguém. Eu não queria dizer aos meus pais que eu, aos 15 anos, estava em uma casa sem nenhum pai presente, bebendo cerveja com os meninos. Eu tentei me convencer de que porque Brett não me estuprou, de que eu deveria ser capaz de seguir em frente e fingir que isso nunca aconteceu", ressaltou.   

A doutora Ford revelou que o caso teve forte impacto em sua vida, e resultou em transtornos, como ansiedade, fobia e pânico.   

Ela ainda precisou contratar segurança depois de receber ameaças de morte. O juiz indicado por Trump, por sua vez, revelou que nunca teve relações sexuais durante o Ensino Médio, porque era "tímido".   

"Eu tinha 17 anos. Ela e eu não estávamos nos mesmos círculos sociais, as pessoas que ela diz que estavam naquela festa não se lembram dela".   

"Eu não vou me intimidar em deixar este processo de confirmação, eles podem me derrotar na votação final, mas eles não vão me fazer sair, nunca", disse.   

Pouco antes do início da audiência, Trump e o vice-presidente, Mike Pence, telefonaram para Kavanaugh para manifestar seu apoio, informaram fontes locais.   

De acordo com a Casa Branca, citada pela CNN, eles disseram que o testemunho de Ford foi considerado "muito confiável" e "convincente". Além disso, Trump não teria mostrado sinais de desconforto diante da declaração de Ford e afirmou querer ouvir Kavanaugh antes de tomar uma decisão. A indicação do juiz está prevista para ser votada nesta sexta-feira (28) pelo Comitê Judiciário do Senado. (ANSA)
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