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Após déficit, presidente da Itália cobra contas 'em ordem'

29/09/2018 13h55

ROMA, 29 SET (ANSA) - O presidente da Itália, Sergio Mattarella, alertou neste sábado (29) que ter as contas públicas em ordem é uma "condição indispensável para a segurança social", sobretudo para o "futuro dos jovens".   

A declaração chega poucos dias depois de o governo italiano ter alcançado um acordo para aumentar o déficit fiscal do país para 2,4% pelos próximos três anos, com o objetivo de financiar as promessas eleitorais do M5S e da Liga.   

Existe o temor no mercado de que a decisão eleve a já astronômica dívida pública do país, hoje superior a 130% do PIB, a segunda maior da zona do euro. Além disso, a lei orçamentária deve encontrar resistência da União Europeia, que pode punir Estados-membros que não cumpram normas de equilíbrio fiscal.   

"Ter as contas públicas sólidas e em ordem é uma condição indispensável de segurança social, sobretudo para os jovens e por seu futuro. A Constituição italiana dispõe que é preciso assegurar o equilíbrio orçamentário e a sustentabilidade da dívida pública", disse Mattarella, durante um evento em Roma sobre os 70 anos da Carta Magna da Itália.   

"Isso serve para tutelar as economias de nossos concidadãos, os recursos para as famílias e empresas, para defender as aposentadorias, para tornar possíveis intervenções sociais concretas e eficazes", acrescentou.   

O ministro do Interior Matteo Salvini (Liga) não demorou a reagir e disse que o presidente pode ficar "tranquilo". "Após anos de manobras econômicas impostas pela Europa e que fizeram explodir a dívida pública, finalmente se muda de rumo e se aposta no futuro e no crescimento", escreveu em suas redes sociais.   

O aumento do déficit é destinado sobretudo a financiar a "renda de cidadania", espécie de bolsa família para desempregados, e o piso de 780 euros para aposentadorias. Apenas essas duas medidas devem consumir 10 bilhões de euros por ano.   

A lei orçamentária de 2019 também deve alterar o sistema previdenciário para introduzir a chamada "cota 100", que permite a aposentadoria quando o trabalhador atinge 100 anos na soma de sua idade com o tempo de contribuição. Ainda está previsto um fundo de 1,5 bilhão de euros para ressarcir poupadores prejudicados por quebras de bancos. (ANSA)
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