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Música antifascista italiana embala resistência a Bolsonaro

29/09/2018 11h34

SÃO PAULO, 29 SET (ANSA) - Símbolo da Resistência na Itália contra o fascismo e popularizada recentemente pela série "La Casa de Papel", a música "Bella ciao" ganhou uma versão contra o candidato à Presidência da República pelo PSL, Jair Bolsonaro.   


"Uma manhã, eu acordei, e ecoava 'ele não', 'ele não, não, não'; uma manhã, eu acordei e lutei contra o opressor", dizem os primeiros versos da letra, que já circula em redes sociais e grupos de WhatsApp.   


"Somos mulheres, a resistência, de um Brasil sem fascismo e sem horror; vamos à luta para derrotar o ódio e pregar o amor; vamos a luta para derrotar o ódio e pregar o amor", diz a segunda parte da canção.   


"Bella ciao" é considerada na Itália o hino dos partisans, guerrilheiros que lideraram a resistência contra o fascismo e a ocupação nazista durante a Segunda Guerra Mundial.   


Até hoje sua origem não foi muito bem esclarecida, mas há quem sustente que ela tenha se baseado em uma canção de camponesas da Emília-Romana do início do século 20. No entanto, essa hipótese foi desacreditada por especialistas no assunto, que acreditam que ela seja um conjunto de influências de músicas populares do norte da Itália.   


"Bella ciao" já foi trilha sonora de protestos em diversos cantos do planeta, como as manifestações pró-democracia em Hong Kong, em 2014, e os atos da praça Taksim, na Turquia, em 2013.   


Também embalou campanhas eleitorais do partido de extrema esquerda grego Syriza, do primeiro-ministro Alexis Tsipras.   


Durante os mandatos de Silvio Berlusconi como chefe de governo, a música antifascista era frequentemente cantada em forma de protesto por partidos de esquerda italianos. Entre os que já emprestaram sua voz à canção estão o cantor e compositor Giorgio Gaber, a banda Modena City Ramblers e o francês Yves Montand, alguns dos principais responsáveis por sua disseminação.   


Recentemente, graças à série do Netflix "La Casa de Papel", "Bella ciao" se popularizou no Brasil, onde ganhou versões até em funk e em gozação contra os argentinos na Copa do Mundo.   


Neste sábado (29), estão previstos diversos protestos contra Bolsonaro organizados pelas mulheres em diversas cidades do país e do mundo. (ANSA)
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