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Nigéria vai às urnas em meio a temor do Boko Haram

22/02/2019 19h58

CAIRO, 22 FEV (ANSA) - A maior democracia da África vai às urnas neste sábado (23) para eleger seu próximo presidente, em meio aos temores de ataques do grupo terrorista Boko Haram e à expectativa de um alto índice de abstenção.   

Após uma misteriosa doença que o forçou a vir a público para dizer que não havia morrido nem era um "impostor", Muhammadu Buhari, 76, mandatário da Nigéria desde 2015, enfrenta mais de 70 candidatos para conseguir a reeleição. Seu principal adversário é o milionário Atiku Abubakar, 72, vice-presidente do país entre 1999 e 2007.   

As eleições estavam marcadas para 16 de fevereiro, mas foram adiadas em uma semana devido ao atraso na distribuição das cédulas eleitorais. A Nigéria é dona de uma das maiores reservas de petróleo da África e o país mais populoso do continente, com 190 milhões de habitantes.   

Essas serão suas sextas eleições democráticas desde a queda do regime militar, em 1999. Buhari, cujo mandato foi marcado pela guerra contra o Boko Haram, alega ter derrotado o grupo terrorista, mas a milícia ainda provoca medo no norte muçulmano do país.   

A guerra contra a organização jihadista, que deseja implantar um regime baseado na sharia, a lei islâmica, na parcela setentrional da Nigéria, já deixou cerca de 27 mil mortos e 1,8 milhão de deslocados.   

Milhares de pessoas que haviam fugido de casa por temor da milícia denunciaram que foram obrigadas a voltar para suas cidades para evitar a criação de colégios eleitorais específicos para elas. A transferência foi acordada entre governo e oposição, e os deslocados foram transportados em comboios sem escolta, expostos ao risco de ataques.   

Serão 84 milhões de eleitores convocados às urnas, mas a abstenção deve ser alta. Em 2014, apenas 44% do eleitorado participou. O medo do Boko Haram é um dos fatores, além da pobreza disseminada, que podem contribuir para a baixa afluência.   

O grupo já alertou que votar equivale à apostasia (renegação da fé) e ameaçou promover atentados. (ANSA)
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