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Macron anuncia corte de impostos e aumento da aposentadoria

25/04/2019 17h16

PARIS, 25 ABR (ANSA) - O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou nesta quinta-feira (25) uma série de medidas para responder aos protestos dos "coletes amarelos", mas afirmou que os cidadãos do país precisam "trabalhar mais" para compensar a redução dos impostos.   

As iniciativas deviam ter sido divulgadas na semana passada, mas acabaram adiadas por causa do incêndio na Catedral de Notre-Dame, em Paris, em 15 de abril. Elas são resultado dos quase cinco meses de "grande debate nacional" convocado por Macron em meio à crescente insatisfação social com sua gestão.   

"Houve pedidos contraditórios, os protestos foram instrumentalizados, houve antissemitismo, homofobia, ataques contra as instituições, os jornalistas e as forças de ordem. Mas não quero que a deriva de alguns oculte os legítimos pedidos apresentados no início", disse Macron em coletiva de imprensa.   

Segundo o presidente, os "coletes amarelos" expressaram um "sentimento de injustiça". O mandatário prometeu um significativo corte no imposto de renda para os "trabalhadores e a classe média", mas reiterou que não recriará a taxação sobre grandes fortunas.   

"Quero reduzir o imposto de renda de forma significativa. Pedi ao governo que o faça suprimindo alguns nichos fiscais e cortando gastos", disse Macron, acrescentando, contudo, que todos deverão "trabalhar mais".   

O presidente também falou em aumentar o piso da aposentadoria por uma "carreira completa" para mil euros, contra os 900 que havia prometido em 2018.   

No fim do ano passado, na esteira dos maiores atos dos "coletes amarelos", Macron já havia aumentado o salário mínimo em 100 euros e isentado horas extras de impostos. No campo político, o presidente proporá uma lei para reduzir para 1 milhão o número de assinaturas para apresentar uma lei de iniciativa popular ao Parlamento.   

Atualmente, é necessário o apoio de 20% dos parlamentares e de 10% do corpo eleitoral, cerca de 4,5 milhões de cidadãos.   

"Quando se quer o poder, quando se obtém a confiança do povo, se aceita sofrer parte da raiva. Dirigir, hoje, na democracia, significa aceitar não ser popular. E eu prefiro ser responsável, manter as promessas, tomar as decisões que julgo justas", declarou Macron. (ANSA)
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