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Vice-premier quer salário mínimo de 9 euros/hora na Itália

17/06/2019 13h01

ROMA, 17 JUN (ANSA) - O ministro do Desenvolvimento Econômico e do Trabalho e vice-premier da Itália, Luigi Di Maio, do antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S), quer acelerar a tramitação de um projeto para fixar o salário mínimo no país em nove euros por hora (cerca de R$ 40, pela cotação atual).   

A medida faz parte do "contrato de governo" entre o M5S e a ultranacionalista Liga, que fala em "estabelecer que a hora do trabalhador não seja retribuída abaixo de uma certa cifra" - o acordo entre os dois partidos não cita valores.   

"O salário mínimo será feito, porque está no contrato! E porque já existe em muitos países europeus!", escreveu Di Maio no Facebook. "Queremos fixar por lei uma barreira de pelo menos nove euros brutos por hora. Contratos de três ou quatro euros por hora, como se vê hoje em dia, não serão mais permitidos, porque isso não é trabalho, é escravidão", acrescentou.   

O ministro estima que cerca de 3 milhões de pessoas recebam salários abaixo desse valor na Itália. Di Maio convocou até uma reunião de urgência com técnicos do governo em Roma, com o objetivo de aprofundar a proposta.   

O projeto, no entanto, deve encontrar resistência no empresariado. "O governo quer fixar o salário mínimo em lei para ajudar os trabalhadores mais vulneráveis, porém o efeito pode ser exatamente o contrário", declarou o vice-presidente da Confederação da Indústria Italiana (Confindustria), Maurizio Stirpe.   

Segundo ele, o abandono dos contratos coletivos pode acabar "tirando direitos e proteções dos trabalhadores". "Uma empresa que decidisse respeitar apenas o salário mínimo não teria nenhum interesse em fazer acordos sobre outros temas", acrescentou.   

Já Andrea Garnero, economista do departamento de trabalho da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), disse que um mínimo de nove euros por hora seria "o mais elevado" entre os países-membros da entidade.   

A proposta de Di Maio também é uma forma de contrabalançar a pressão da Liga, de Matteo Salvini, para o governo reduzir as alíquotas do imposto de renda. Além disso, o M5S, que tem a maior bancada no Parlamento, enfrenta uma crise de popularidade e foi ultrapassado pela Liga nas eleições europeias de 26 de maio. (ANSA)
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