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Número de deslocados chega a 70 milhões e bate novo recorde

2019-06-19T08:15:00

19/06/2019 08h15

ROMA, 19 JUN (ANSA) - O número de pessoas em fuga de guerras, perseguições e conflitos no mundo superou a marca de 70 milhões em 2018 e bateu um novo recorde.   

Os dados referentes ao ano passado foram divulgados nesta quarta-feira (19) pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), na véspera do Dia Mundial do Refugiado, e fazem parte do relatório "Tendências Globais 2018".   

Segundo o Acnur, o mundo conta com 70,8 milhões de deslocados forçados, dos quais 25,9 milhões são refugiados; 3,5 milhões, solicitantes de refúgio; e 41,4 milhões, deslocados internos.   

Isso representa um aumento de quase 2,3 milhões de pessoas em relação ao ano anterior e equivale à população de países como Turquia ou Tailândia.   

"O que observamos nestes dados constitui uma nova confirmação de uma tendência de longo prazo de aumento no número de pessoas que fogem de guerras, conflitos e perseguições", disse o alto comissário da ONU para refugiados, o italiano Filippo Grandi.   

"Devemos partir de exemplos positivos e exprimir solidariedade ainda maior com as milhares de pessoas inocentes obrigadas todos os dias a deixarem suas próprias casas", acrescentou. Ainda de acordo com o Acnur, cerca de 1,7 milhão de novos pedidos de refúgio foram feitos em 2018.   

Os Estados Unidos foram a nação que mais receberam solicitações (254,3 mil), seguidos por Peru (192,5 mil), Alemanha (161,9 mil), França (114,5 mil) e Turquia (83,8 mil). O maior número de novos pedidos é proveniente de venezuelanos, 341,8 mil. A agência ainda alertou que o número de refugiados no mundo deve estar subestimado, já que o relatório soma apenas 2,59 milhões de deslocados externos da Venezuela, embora os países vizinhos contabilizem mais de 4 milhões de venezuelanos em fuga.   

Países - Mais de dois terços (67%) de todos os refugiados do mundo são originários de apenas cinco países: Síria, com 6,7 milhões; Afeganistão, com 2,7 milhões; Sudão do Sul, com 2,3 milhões; Myanmar, com 1,1 milhão; e Somália, com 900 mil.   

Desses cinco, três (Síria, Afeganistão e Sudão do Sul) enfrentam prolongadas guerras civis. Já Myanmar convive com as perseguições à minoria muçulmana rohingya, enquanto a Somália abriga grupos terroristas como o Al Shabab.   

Quando se contabiliza deslocados externo e internos, a Síria segue na liderança, com 13,19 milhões, mas seguida pela Colômbia (8 milhões), que ainda tem uma grande população de pessoas que fugiram para lugares dentro de suas próprias fronteiras (6,18 milhões) por causa da ação de guerrilhas.   

Na sequência aparecem Afeganistão (5,67 milhões), República Democrática do Congo (5,38 milhões) e Sudão do Sul (4,32 milhões).   

Já entre os cinco países que mais acolhem refugiados, quatro são pobres ou emergentes: Turquia (3,68 milhões), Paquistão (1,40 milhão), Uganda (1,16 milhão) e Sudão (1,07 milhão). A única exceção é a Alemanha, com 1,06 milhão.   

Em termos proporcionais, o Líbano é quem mais acolhe refugiados, com um para cada seis habitantes, seguido por Jordânia (um para cada 14) e Turquia (um para cada 22). (ANSA)
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