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Em áudios inéditos, Borsellino revela temor com segurança

16/07/2019 15h37

ROMA, 16 JUL (ANSA) - Áudios inéditos revelados nesta terça-feira (16) mostram a preocupação do juiz italiano Paolo Borsellino, assassinado pela máfia em 19 de julho de 1992, com sua segurança.   

As gravações foram feitas durante audiências na comissão antimáfia do Parlamento em 1984 e 1989 e exibidas no Senado nesta terça, após a revogação do sigilo dos depoimentos.   

"Não vejo sentido em perder a liberdade de manhã para depois ficar livre para ser assassinado de noite", diz Borsellino aos parlamentares em 1984. Segundo o juiz, as pessoas que investigavam a Cosa Nostra precisavam de mais funcionários para lidar com o tamanho dos processos, mas também de motoristas.   

"De manhã, com o soar das sirenes, a maior parte é acompanhada ao escritório pela escolta, mas de tarde há apenas um carro blindado. Eu vou sistematicamente para o gabinete com meu carro para voltar para casa por volta de 21h, 22h", acrescenta o juiz.   

Borsellino foi assassinado no fim da tarde de 19 de julho de 1992, em Palermo, quando um carro repleto de explosivos foi detonado em frente à casa de sua mãe no momento em que ele chegava. Os cinco agentes que faziam sua escolta também morreram.   

A atentado ocorreu quase dois meses depois do Massacre de Capaci, quando a máfia tirou as vidas do também juiz Giovanni Falcone, de sua esposa e de três policiais. Nos áudios revelados nesta terça, Borsellino também cobra a modernização tecnológica da Justiça para lidar com as investigações.   

"Quero ressaltar a gravidade dos problemas de natureza prática que enfrentamos todos os dias. Com a gestão de processos em quantidade incrível, se tornou indispensável o uso de equipamentos mais modernos, como o computador. O computador finalmente chegou, mas levará algum tempo para entrar em operação, existem problemas graves de instalação", diz.   

Além disso, o magistrado reclama da escassez de procuradores investigando a máfia. "Meu gabinete, permanecendo com o mesmo número de funcionários, enquanto antes se ocupava de 4 mil processos por ano, agora se ocupa de 30 mil processos por ano, aos quais se juntam 60 mil das procuradorias dos arredores. Hoje eu tenho 100 mil processos. Olhei todos, não me rendo", afirma Borsellino, em uma gravação feita em 1989, quando ele era procurador da República no Tribunal de Marsala, Sicília. (ANSA)
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