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Máfia italiana operou esquema de cocaína no Brasil, diz PF

16/07/2019 12h04

SÃO PAULO, 16 JUL (ANSA) - Uma investigação identificou que mafiosos italianos eram os proprietários de quase 1,2 tonelada de cocaína apreendida no Porto de Santos, no litoral de São Paulo, em setembro do ano passado. A informação, divulgada pelo portal "G1" nesta terça-feira (16), também revelou que 10 pessoas originárias de três países diferentes foram detidas na África. A operação contou com a apoio da Receita Federal e da Polícia Federal (PF).   

Segundo a publicação, a polícia desmantelou a organização criminosa nas últimas semanas, depois que centenas de tabletes de cocaína foram encontrados em rolos compressores. A droga seria enviada ao porto de Abidjan, na Costa do Marfim.   

As investigações foram realizadas em parceria com a Itália e França, além de oito agências policiais do Arco do Golfo. As autoridades conseguiram identificar uma nova rota do narcotráfico internacional, usando o continente africano como intermédio para a droga chegar até a Itália. De acordo com o inquérito, os mafiosos utilizavam empresas falsas de construção na Costa do Marfim para que as máquinas brasileiras, carregadas com cocaínas, fossem importadas. Após chegar no país africano, a droga era enviada para a Itália, especificamente na região da Calábria, onde a máfia controla 40% dos envios globais de cocaína, segundo autoridades. Ainda de acordo com a reportagem do G1, entre os responsáveis pelo transporte da mercadoria estão seis italianos, três marfinenses e um franco-turco. Todos se encontravam em uma cantina italiana em Abidjan para organizar os esquemas, o que deflagrou a "Operação Spaghetti" no mês passado. "Temos provas de que as mercadorias foram destinadas para a Ndrangheta e a Camorra e eles [os presos] estavam por trás do tráfego", disse o agente francês Silvain Coué ao site, ressaltando que foram apreendidos também dinheiro, armas e bens de alto valor.   

Para os investigadores, a cocaína encontrada no Porto de Santos foi adquirida por 2,5 milhões de euros na América do Sul e a ideia era que fosse vendida por 250 milhões na Europa. O delegado-chefe da Polícia Federal em Santos, Ciro Tadeu Moraes, informou que as autoridades continuam investigando o caso e apuram se há ligação entre o esquema e os dois italianos, Nicola e Patrick Assisi, detidos na Praia Grande (SP) no início do mês.   

A dupla é suspeita de integrar a máfia italiana. Pai e filho ainda eram procurados por envolvimento com tráfico internacional. (ANSA)
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