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Serei inimiga de quem quer enfraquecer UE, diz Von der Leyen

16/07/2019 12h52

ESTRASBURGO, 16 JUL (ANSA) - A ministra da Defesa da Alemanha, Ursula von der Leyen, pode se tornar nesta terça-feira (16) a nova presidente da Comissão Europeia e a primeira mulher a ocupar o posto.   

Indicada pelos líderes da UE em julho ao cargo, o nome de von der Leyen será votado hoje pelos membros do Parlamento Europeu, onde nesta manhã ela expôs suas propostas e opiniões. "Finalmente, uma mulher é candidata à Presidência da Comissão Europeia. Sou grata a todos que romperam as barreiras e convenções para mim e aos que construíram uma Europa baseada na paz, união e em valores", exaltou. "Serei inimiga de quem quer enfraquecer a UE", ressaltou.   

Em discurso aos parlamentares, von der Leyen prometeu lutar por um salário mínimo europeu e por um projeto para redução de gases poluentes. "Quero garantir que, em uma economia social de mercado, cada pessoa que trabalhe em tempo integral possa ter um salário mínimo para uma vida digna", alegou. "Quero também que a Europa se torne o primeiro continente neutro, do ponto de vista climático, até 2050. Para alcançar esse objetivo, devemos dar passos corajosos juntos. Nosso objetivo de reduzir o CO2 em 40% até 2013 não é mais suficiente.   

É necessário focar em uma redução de 50% ou até 55%", previu. "Apresentarei, nos 100 primeiros dias do meu mandato, um 'Green Deal' (Pacto Verde)", prometeu.   

Falando ainda de economia, Leyen defendeu o multilateralismo, confrontando com as ideologias nacionalistas que crescem na UE nos últimos anos. "Nós queremos o multilateralismo, o comércio equilibrado, e defendemos uma ordem baseada na lei", disse.   

"Devemos redescobrir nossa união e, se estivermos unidos por dentro, ninguém poderá nos dividir por fora. Então, poderemos transformar os desafios de amanhã em oportunidades", exaltou von der Leyen. Sobre o fluxo de imigrantes que tentam chegar ao continente europeu, von der Leyen lamentou as tragédias no mar e as polêmicas envolvendo as ONGs e entidades que resgatam viajantes.   

"O Mar Mediterrâneo se tornou uma das fronteiras mais letais do mundo. No mar, existe a obrigação de salvar vidas", pontuou. "A UE precisa de fronteiras humanas, devemos salvar vidas, mas também devemos reduzir a imigração irregular e lutar contra os traficantes", disse von der Leyen, adotando, porém, uma posição mais neutra em relação à crise imigratória que atinge o continente há anos. A alemã ainda demonstrou disposição em aceitar um novo adiamento para a saída do Reino Unido da União Europeia, o chamado Brexit, previsto para 31 de outubro. "Estou pronta para uma nova prorrogação da data de retirada, se for necessário mais tempo por uma boa razão", declarou.   

Itália - O Partido Democrático (PD), de centro-esquerda na Itália, e o Movimento 5 Estrelas (M5S) disseram que votariam a favor de von der Leyen. Já o centrista Irmão da Itália (FI) prometeu votar contra a candidata alemã.   

O partido de extrema-direita Liga Norte, do vice-premier e ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, por sua vez, disse que analisaria ainda como votar, mas demonstrou otimismo.   

"As palavras de von der Leyen sobre a luta contra a imigração clandestina são interessantes. Vejamos se ela confirmará essa vontade de combater os traficantes", comentou Salvini. (ANSA)
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