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Presidente da autoridade anticorrupção da Itália renuncia

23/07/2019 09h36

ROMA, 23 JUL (ANSA) - O presidente da Autoridade Nacional Anticorrupção (Anac) da Itália, Raffaele Cantone, renunciou ao cargo nesta terça-feira (23) depois de mais de cinco anos no posto e alguns meses antes da conclusão do seu mandato, que terminaria em março de 2020. A demissão foi anunciada pelo próprio italiano em uma carta no site do órgão. "Eu sinto que um ciclo foi definitivamente concluído, também devido à manifestação de uma abordagem cultural diferente em relação à Anac e seu papel", escreveu.   

Cantone ainda fez um apelo para voltar a atuar na magistratura.   

"Hoje de manhã, com alguns meses de antecedência, fiz um pedido formal para retomar as funções orgânicas do Judiciário: um ato que implica a conclusão do meu mandato como presidente da Anac".   

Segundo ele, seu retorno ao escritório na corte de cassação acontecerá assim que seu pedido for ratificado pelo Conselho de Ministros.   

Na carta, Cantone ainda mencionou a fase "difícil" que o Judiciário da Itália está vivenciando, um momento que o "impede de continuar sendo um espectador passivo".   

"Atender ao que está acontecendo, sem poder participar do debate interno, parece-me ser uma limitação insuportável, semelhante à de um jogador forçado a assistir a uma partida decisiva das arquibancadas", acrescentou. Para o magistrado, a "Autoridade Nacional Anticorrupção, estabelecida na sequência de escândalos e emergências, representa hoje uma herança do país. Estas são circunstâncias que devem ser uma fonte de orgulho para a Itália, mas muitas vezes são pouco reconhecidas como elas merecem". "Deixo a presidência da Anac com a consciência de que desde 2014 nosso país tem feito grandes avanços no campo da prevenção da corrupção, tanto que se tornou um modelo de referência no exterior", explicou.   

Por fim, Cantone ressaltou que "a corrupção está longe de ser erradicada, mas seria descabido não tomar conhecimento do progresso destacado também pelos inúmeros prêmios recebidos nos últimos anos por organizações internacionais (Comissão Europeia, Conselho da Europa, OCDE, OSCE, Fundo monetário) e a melhoria significativa do ranking do setor". (ANSA)
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