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Itália enfrenta 'Dia D' e governo pode cair hoje

20/08/2019 09h58

ROMA, 20 AGO (ANSA) - A Itália terá seu "Dia D" nesta terça-feira (20). O primeiro-ministro Giuseppe Conte é esperado no Parlamento para um discurso e para a eventual votação de uma moção de censura que, se aprovada, fará o governo da Liga Norte e do Movimento 5 Estrelas (M5S) cair. Conte deve se apresentar ao Senado às 15h locais (10h no horário de Brasília). A expectativa é que o premier faça um pronunciamento para defender a continuidade do governo ou acabe se antecipando e renunciando ao cargo. Caso decida permanecer no cargo, Conte enfrentará a votação de uma moção de desconfiança apresentada pela Liga. O jurista Giuseppe Conte é o primeiro-ministro da Itália há 14 meses. Ele assumiu o posto por ser uma indicação neutra e consensual entre a Liga Norte e o M5S. Os dois partidos foram os mais votados nas últimas eleições e, apesar de adotarem posicionamentos políticos diferentes, decidiram se unir e formar uma coalizão de governo baseada em um "pacto político". Em diversos momentos, porém, o M5S e a Liga Norte deram sinais de que a aliança estava se enfraquecendo e entraram em confronto sobre vários temas políticos, como um decreto de segurança proposto pelo ministro do Interior, Matteo Salvini, da Liga Norte, e com um projeto de construção do trem de alta velocidade (TAV), entre Turim e Lyon. Foi justamente uma votação no Parlamento sobre o TAV que causou o racha definitivo no governo. Liga e M5S votaram em posições opostas, o que fez com que Salvini decretasse de maneira unilateral o fim da coalizão.   

A Liga também foi a responsável por apresentar a moção de censura no Senado contra Conte e, há semanas, ameaça retirar todos seus ministros do governo. Analistas políticos acreditam que a manobra de encerrar a aliança com o M5S é uma estratégia da Liga Norte de tentar formar um governo sozinha na Itália, pois o partido foi o mais votado neste ano no país para as eleições ao Parlamento Europeu.   

Apoiada pelas pesquisas de intenção que voto que lhe dão 38% das preferências em caso de uma eleição antecipada na Itália, a legenda nacionalista e anti-imigratória poderia formar um novo governo apenas com o apoio de pequenos e médios partidos de direita na Itália. Por isso, nesta manhã, o líder do M5S, Luigi di Maio, acusou Salvini de provocar propositalmente a crise política e declarou que o M5S votará a favor de Conte no Senado. "Querido Giuseppe. Hoje é um dia importante. É o dia em que a Liga deverá responder por ter decidido derrubar tudo, abrindo uma crise em pleno agosto (temporada de férias), nas praias, apenas para recorrer às pesquisas eleitorais. Hoje, no Senado, os ministros do M5S estarão ao seu lado", disse Di Maio, em uma postagem no Facebook.   

"Iremos no apresentar com a cabeça erguida. Sem nos importarmos com o que ocorrerá, queria dizer que foi uma honra trabalharmos juntos nesse governo", ressaltou. (ANSA)
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