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'Sardinhas', a nova tática da esquerda para frear Salvini

18/11/2019 19h26

MODENA, 18 NOV (ANSA) - Um movimento espontâneo e organizado pelas redes sociais virou a pedra no sapato do ex-ministro Matteo Salvini em um dos bastiões da esquerda na Itália.   

Autodenominado como "sardinhas", o grupo assumiu a linha de frente para evitar que o popular secretário da Liga conquiste o governo da Emilia-Romagna, no norte do país, nas eleições regionais de 26 de janeiro.   

A mobilização surgiu na última quinta-feira (14), quando Salvini abriu a campanha eleitoral de sua candidata a governadora, Lucia Borgonzoni, com um comício em uma arena de Bolonha com capacidade para 5,6 mil pessoas.   

No Facebook, quatro internautas convocaram um flash mob chamado "6 mil sardinhas contra Salvini", que tinha como objetivo reunir mais pessoas do que o comício do ex-ministro do Interior. Os organizadores pediram que os participantes não levassem bandeiras de partidos, apenas cartazes representando sardinhas.   

O flash mob ocorreu na Piazza Maggiore, a 1,5 quilômetro do evento de Salvini, e durou cerca de 20 minutos, reunindo entre 12 mil e 13 mil pessoas, o dobro do esperado. A manifestação se repetiu nesta segunda-feira (18), mas em Modena, onde 7 mil indivíduos ignoraram o mau tempo para se espremer "como sardinhas em lata" em uma praça do centro da cidade.   

Assim como em Bolonha, o ato desta segunda foi realizado paralelamente a um comício do ex-ministro e embalado pelo som de "Bella ciao!", música símbolo da resistência italiana contra o nazifascismo, e do slogan "Modena não se liga", em referência ao partido de extrema direita.   

"Queríamos tocar um despertador coletivo, e isso aconteceu", disse Mattia Santori, um dos organizadores do flash mob, na última sexta-feira (15). Segundo ele, o objetivo era acordar a esquerda, "que dormiu por tempo demais". "Não queríamos chegar ao dia seguinte às eleições com todos se perguntando 'como foi possível?'", acrescentou.   

Avanço - Mesmo fora do poder, Salvini segue com a popularidade em alta e, no fim de outubro, alcançou uma vitória avassaladora nas eleições regionais na Úmbria, outro antigo bastião da esquerda italiana.   

Desde as eleições legislativas de 4 de março de 2018, quando o secretário da Liga assumiu a liderança da coalizão de direita com o moderado Força Itália (FI) e o extremista Irmãos da Itália (FdI), a aliança vem colecionando vitórias nas urnas.   

De lá para cá, sete regiões governadas pelo Partido Democrático (PD), maior força de centro-esquerda no país, realizaram eleições, e a coalizão conservadora venceu em todas. E o próximo alvo de Salvini é a Emilia-Romagna.   

A região é governada pela esquerda desde sua instituição, em 1970, e representa um dos últimos bastiões "vermelhos" ainda de pé, assim como as vizinhas Toscana e Marcas. O atual governador Stefano Bonaccini (PD) é favorito à reeleição, mas a popularidade de Salvini, especialmente nas áreas rurais da Emilia-Romagna, pode levar Borgonzoni à vitória. (ANSA)
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