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Como a imigração italiana influenciou o futebol brasileiro

21/02/2020 18h24

SÃO PAULO, 21 FEV (ANSA) - Por Renan Tanandone - O Brasil celebra nesta sexta-feira (21) o Dia do Imigrante Italiano.   


Antes de as duas nações se tornarem grandes potências do futebol mundial, os italianos que chegaram aqui impactaram diretamente na criação e na evolução de alguns dos mais tradicionais clubes brasileiros.   


A começar pelo Palestra Itália, atual Palmeiras. O clube foi fundado em 1914, após as visitas do Torino e do Pro Vercelli ao Brasil, que motivaram a comunidade italiana em São Paulo a fundar um time próprio.   


"A história do Palestra Italia só existe por conta de nossos imigrantes. O clube é fruto do sonho dos descendentes de italianos que aqui residiam no início do século 20 e se organizaram para materializar e constituir uma instituição que os pudesse representar esportivamente, com seus valores e sua cultura. Em um plano maior, os descendentes de italianos contribuíram decisivamente para a popularização do futebol entre os brasileiros", diz Fernando Galuppo, historiador especializado em Palmeiras, em entrevista à ANSA.   


Galuppo acrescenta que a presença dos italianos no futebol brasileiro influenciou na organização tática dos times e em seus estatutos. "Os italianos trouxeram conceitos de jogo baseados na organização tática utilizada por Vittorio Pozzo no início dos anos 1930, que garantiu dois títulos mundiais aos italianos.   


Modelos de estatutos de clubes e confederações foram adaptados no Brasil, baseados naquilo que clubes e a federação italiana utilizavam", explica.   


Diversas equipes também nasceram por meio de imigrantes do país europeu, como outro Palestra Itália, mas em Minas Gerais. O time foi fundado em 1921 após uma visita de uma autoridade italiana a Belo Horizonte (MG), e mais tarde mudaria seu nome para Cruzeiro.   


Outros clubes fundados por italianos, no entanto, deixaram de existir ao longo do tempo, como Savóia Futebol Clube (PR) - que, após uma série de fusões, ajudaria a dar origem ao Paraná Clube -, Clube Atlético Votorantim (SP) e o Yale Athletic Clube (MG).   


Mooca - Desde a fundação até a escolha do nome e da cor do uniforme, o Juventus (SP) é outro time que também não esconde suas raízes italianas. O clube foi originado no Cotonifício Rodolfo Crespi, antiga indústria têxtil situada no bairro paulistano da Mooca, após a fusão de dois times de várzea formados por operários italianos da fábrica.   


"Na criação do Juventus especificamente, foi fundamental a presença dos imigrantes italianos. A composição inicial da diretoria era praticamente toda de imigrantes. Os italianos já vieram com esse gosto muito forte pelo futebol e com a disposição de fazer alguma coisa por aqui", afirma Ângelo Agarelli, historiador do Juventus, em entrevista à ANSA.   


Antes de assumir sua denominação atual, o clube carregava o nome da empresa onde foi originado, mas a federação que organizava o Campeonato Paulista não aceitava que os times jogassem sob a alcunha de indústrias ou firmas.   


Segundo Agarelli, o novo nome do clube foi inspirado na Juventus de Turim. A ideia partiu do conde Rodolfo Crespi, que ficou impressionado com um jogo entre a Velha Senhora e o Torino, em 1929, ao qual ele assistira durante uma viagem à Itália. Ele sugeriu a nova denominação para o presidente do time brasileiro, seu filho Adriano, que aceitou o conselho.   


Além do nome, a federação também pediu para o Juventus mudar a coloração do uniforme, já que as cores não podiam se repetir entre as equipes do torneio. De acordo com Agarelli, o clube saiu do tricolor (branco, vermelho e preto, já usados pelo São Paulo) para o tradicional grená, que foi inspirado no Torino, grande rival da Velha Senhora. (ANSA)
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