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Estudo italiano revela genes que aumentam risco da Covid-19

05/06/2020 19h07

MILÃO, 5 JUN (ANSA) - Um estudo italiano é o primeiro do mundo a encontrar os genes que determinam a diferente suscetibilidade das pessoas de se infectarem com o novo coronavírus (Sars-CoV-2).   

O material genético foi identificado graças à inteligência artificial da Universidade de Siena e faz parte do grande projeto de pesquisa Gen-Covid, que através da colaboração de 35 hospitais de toda a Itália analisará o DNA de 2 mil pessoas durante o verão europeu. Os resultados obtidos nos primeiros 130 pacientes foram apresentados na conferência da Sociedade Europeia de Genética Humana. "Usamos uma abordagem completamente nova que avalia cada paciente. Assim será mais fácil encontrar terapias personalizadas contra a Covid-19", explica Alessandra Renieri, professora da Universidade de Siena e diretora da Unidade de Genética Médica do hospital universitário Senese.   

"Na Itália, tivemos a infelicidade de ser um precursor com nossos pacientes. Agora esperamos poder fazer o mesmo como cientistas", acrescentou. A extrema variabilidade da doença provocada pelo novo coronavírus é um dos aspectos mais "sombrios" da pandemia.   

Algumas pessoas infectadas são completamente assintomáticas, outras têm síndrome de gripe e outras desenvolvem consequências muito graves que levam à morte. "Pensamos desde o início que foi a genética do hóspede que fez a diferença e vários estudos mostraram que a gravidade da doença depende 50% de fatores hereditários", disse Renieri. Segundo ela, diversas pesquisas genéticas foram conduzidas comparando o DNA de pessoas com a Covid-19 e pessoas saudáveis, mas os resultados foram decepcionantes. "Decidimos, portanto, mudar o método, tentando avaliar cada paciente como um caso em si, como fazemos há anos no estudo de doenças genéticas raras", afirma a italiana. Desta forma, o vírus foi decomposto nos vários órgãos afetados, para ser avaliado se o impacto era grave ou leve no paciente individual, desde pulmão, fígado, área cardiovascular e assim por diante. Na sequência, o DNA foi examinado. Cada indivíduo possui mais de 50 mil variantes genéticas e, para simplifica-las, o estudo decidiu analisar as variações mais significativas, avaliando-as de acordo com um sistema binário, assim como os computadores. O gene vale 0 se estiver intacto e vale 1 se for alterado. Essa quantidade de dados, retrabalhada graças aos algoritmos de inteligência artificial, tornou possível encontrar em cada paciente uma média de três genes mutados que parecem influenciar a suscetibilidade ao coronavírus de órgãos ou sistemas individuais.   

"Desses genes, alguns já são alvos de medicamentos atualmente disponíveis no mercado que poderiam ter uma nova indicação contra a Covid-19", finalizou Renieri. (ANSA)
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