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Floyd falou mais de 20 vezes que não conseguia respirar

09/07/2020 07h38

NOVA YORK, 09 JUL (ANSA) - A transcrição da ação policial que resultou na morte de George Floyd, 46 anos, no dia 25 de maio em Minneapolis, mostrou que o ex-segurança afirmou por mais de 20 vezes que não estava conseguindo respirar. Os áudios foram divulgados na noite desta quarta-feira (08) pela autoridades norte-americanas. Durante a gravação, Floyd avisa que "vai morrer" também por diversas vezes e pede que não seja colocado no camburão por ser claustrofóbico. Enquanto gritava que não conseguia respirar, o policial Derek Chauvin, que ficou com seu joelho por mais de oito minutos no pescoço do ex-segurança, assim como os outros três agentes que estavam na abordagem pediam para ele "relaxar", "respirar fundo" e repetiram várias vezes para Floyd que ele "está bem".   

Em um momento mais tenso, Chauvin parece perder a paciência e grita com o ex-segurança para ele "parar de falar, parar de gritar" porque é preciso "muito oxigênio para falar". Pouco depois, Thomas Lane, um dos policiais na ação, pede se não seria melhor virar Floyd de lado - já que ele está imobilizado e aparenta estar sob efeito de alguma droga.   

No entanto, Chauvin se negou e disse que era por isso que eles estavam aguardando a ambulância. O agente só tirou o joelho do pescoço de Floyd após o paramédico pedir para ele fazer isso, mas nesse momento, o ex-segurança já não apresentava mais sinais de vida.   

Também é possível ouvir durante toda a transcrição que homem de 46 anos pede muito pelos filhos e fala da mãe, que já é falecida há dois anos. "Te amo, mãe! Diga a meus filhos que eu amo eles.   

Eu estou morto", fala em um dos momentos.   

Segundo a gravação, a última fala registrada de Floyd foi mais uma súplica. "Eles vão me matar, eles vão me matar. Eu não consigo respirar", disse.   

A morte de Floyd foi o estopim para semanas de protestos e manifestações por todo os Estados Unidos e também em outras partes do mundo sobre o racismo e a violência policial contra os negros - já que essa não foi a primeira vez que um negro foi sufocado por um policial branco. O movimento Black Lives Matter (Vidas Pretas Importam) voltou a ganhar força e a violência do assassinato de Floyd fez diversas cidades anunciarem a revisão das práticas policiais nas abordagens.   

Os policiais tinham sido chamados ao local e prenderam Floyd por ele ter, supostamente, tentado usar uma nota de US$ 20 falsa para comprar cigarros em um pequeno mercado. Os quatro agentes foram demitidos rapidamente e, depois dos protestos, todos foram indiciados judicialmente.   

Chauvin responde por homicídio em segundo e terceiro grau e os policiais Lane, Alexander Kueng e Tou Thao respondem por serem cúmplices do assassinato. (ANSA)
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