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Embaixador é nomeado primeiro-ministro do Líbano e formará novo governo

31.ago.2020 - O presidente do Líbano, Michel Aoun, reúne-se com o novo primeiro-ministro Mustapha Adib e com o porta-voz do parlamento, Nabin Berri. Adib foi encarregado de formar um novo governo no país - DALATI AND NOHRA / AFP
31.ago.2020 - O presidente do Líbano, Michel Aoun, reúne-se com o novo primeiro-ministro Mustapha Adib e com o porta-voz do parlamento, Nabin Berri. Adib foi encarregado de formar um novo governo no país Imagem: DALATI AND NOHRA / AFP

31/08/2020 08h02

O atual embaixador do Líbano na Alemanha, Mustapha Adib, foi encarregado pelo presidente Michel Aoun de formar um novo governo no país, após todo o gabinete do primeiro-ministro Hassan Diab ter renunciado em função da explosão devastadora no porto de Beirute.

Com 48 anos, Adib serve em Berlim desde 2013 e foi indicado para chefiar o governo com o apoio do Movimento Futuro, partido do ex-primeiro-ministro Saad Hariri, filho do também ex-premiê Rafiq Hariri, assassinado em um atentado terrorista em 2005.

Pouco conhecido pelos eleitores, o diplomata terá de conciliar a tarefa de montar um governo que incorpore o desejo de mudança da população com o fato de ter sido indicado pelo establishment político.

Diab é muçulmano sunita, o que garante a manutenção do sistema sectário de divisão de poder no Líbano - o presidente deve ser sempre cristão maronita, enquanto o mandatário do Parlamento precisa ser muçulmano xiita.

A indicação chega no mesmo dia de uma nova visita do presidente da França, Emmanuel Macron, o primeiro líder internacional a viajar ao Líbano após a explosão em Beirute.

Diab e seu governo haviam renunciado em 10 de agosto, em meio aos protestos contra a classe política em função da explosão que devastou a área portuária de Beirute e deixou cerca de 190 mortos.

O epicentro da tragédia foi um galpão que armazenava 2.750 toneladas de nitrato de amônio, substância geralmente usada em fertilizantes e inseticidas, mas também em explosivos.

A carga havia sido apreendida no fim de 2013, mas, apesar dos apelos das autoridades alfandegárias para removê-la do porto, permaneceu estocada sem respeitar padrões mínimos de segurança.