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Mandante de atentados que mataram juízes é condenado à prisão perpétua na Itália

Os juízes italianos Paolo Borsellino e Giovanni Falcone foram mortos em atentados  - Enzo Brai/Mondadori via Getty Images
Os juízes italianos Paolo Borsellino e Giovanni Falcone foram mortos em atentados Imagem: Enzo Brai/Mondadori via Getty Images

Em Caltanissetta (Itália)

21/10/2020 08h30

Um tribunal do sul da Itália condenou ontem o líder mafioso Matteo Messina Denaro, foragido há quase 30 anos, à prisão perpétua como mandante dos atentados que mataram os juízes Giovanni Falcone e Paolo Borsellino, em 1992.

A sentença foi emitida pela Corte de Apelação de Caltanissetta, situada na região da Sicília, berço da Cosa Nostra, após 14 horas de deliberações dos juízes.

Chefe do clã de Castelvetrano, na província de Trapani, Denaro é tido como um dos mais poderosos líderes da máfia siciliana e está foragido desde 1993. Segundo o procurador Gabriele Paci, o criminoso é o "regente" da Cosa Nostra trapanese pelo menos desde 1991, nomeado por Salvatore "Totò" Riina (1930-2017), o mais sanguinário chefe da máfia.

De acordo com a acusação, Denaro foi um dos responsáveis por iniciar a "era dos massacres" na Cosa Nostra, com atentados nas principais cidades do país, incluindo aqueles que mataram os juízes antimáfia Falcone e Borsellino.

"Quando começou a guerra da máfia, em 1991, Paolo Borsellino operava em Trapani, território administrado por Matteo Messina Denaro. Totò Riina, para iniciar a era dos massacres, precisava convencer os representantes provinciais sobre seu projeto, construir um consenso. Se houvesse dissenso de uma das províncias, teria acontecido uma guerra. Foi ele [Denaro], mais do que todos, quem ajudou Riina a cortar pela raiz os rumores de discordância", disse Paci durante o julgamento.

Denaro é considerado o líder da Cosa Nostra — ou pelo menos um de seus principais chefes — desde a prisão de Bernardo Provenzano (1933-2016), sucessor de Riina, em 2006. Foragido, buscou se afastar da política e investir em novos setores da economia, como energias renováveis, para lavar o dinheiro obtido com as atividades criminosas da máfia.

Tanto Paolo Borsellino quanto Giovanni Falcone investigavam os meandros da Cosa Nostra e foram assassinados em atentados a bomba em 1992, na Sicília. Hoje eles são os maiores símbolos da luta contra a máfia na Itália, que já condenou diversos mafiosos à prisão perpétua por envolvimento nos dois ataques.

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