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Austrália reconhece 39 execuções ilegais de civis no Afeganistão

19/11/2020 09h15

SYDNEY, 19 NOV (ANSA) - O chefe da Força de Defesa da Austrália, Angus Campbell, anunciou nesta quinta-feira (19) que soldados de elite do país executaram 39 pessoas de maneira ilegal no Afeganistão durante os anos de 2009 e 2013.   

O anúncio veio após uma investigação que teve quase cinco anos de duração e que foi presidida pelo juiz militar Paul Brereton.   

Além de reconhecer os crimes contra os civis, houve a recomendação de que 19 soldados da força de elite australiana sejam investigados pela polícia federal por 36 incidentes, pelos homicídios de 39 prisioneiros e civis, e por "tratamento cruel" de dois outros afegãos.   

O relatório aponta que nenhuma das vítimas era combatente e que as mortes ocorreram fora de "palcos da guerra". Entre os mortos, estão prisioneiros, fazendeiros e civis em geral. Nenhum dos assassinatos "podem ser definidos como decisões discutíveis tomadas sob pressão no calor da batalha" e que, nos casos nos quais foram encontradas "informações críveis de um crime de guerra" estava bastante claro - "ou deveria ser claro, que a pessoa não era um combatente".   

Ainda de acordo com o documento, há "provas robustas" dos crimes atribuídas à "cultura da guerra" entre alguns soldados. Entre elas, a de que soldados júniores recebiam ordens frequentes de comandantes de patrulhas para matarem prisioneiros e fazerem os seus "primeiros assassinatos", em uma prática conhecida como "blooding".   

Além disso, ficou comprovado que os militares levavam consigo armas, rádios e granadas fora do padrão das forças australianas para serem colocados próximos às vítimas e "sugerir" que havia uma "reação legítima" em caso de investigações sobre os incidentes.   

Ao fim do documento, Campbell pede formalmente desculpas "por cada crime cometido por soldados australianos".   

A investigação entrevistou 423 pessoas consideradas como testemunhas e estudou mais de 20 mil documentos e 25 mil imagens dos dias de conflito. As análises incluíram dados dos anos de 2005 a 2016. (ANSA).   

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