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Sobrevivente de Auschwitz critica grupos antivacinas na Itália

Senadora italiana Liliana Segre criticou pessoas que comparam a perseguição aos judeus às regras que buscam incentivar a vacinação contra a covid-19 - iStock
Senadora italiana Liliana Segre criticou pessoas que comparam a perseguição aos judeus às regras que buscam incentivar a vacinação contra a covid-19 Imagem: iStock

26/07/2021 10h49Atualizada em 26/07/2021 11h57

Sobrevivente do campo de extermínio de Auschwitz, a senadora italiana Liliana Segre criticou nesta segunda-feira (26) as pessoas que comparam a perseguição aos judeus às regras que buscam incentivar a vacinação contra a Covid-19.

Segundo Segre, esse tipo de analogia é uma "loucura" e um "gesto de mau gosto e ignorância". "É uma época de tamanha ignorância e violência - que nem são mais reprimidas -, que leva a essas distorções. É uma escola na qual os valentões são os mais fortes", disse a senadora ao site "Pagine Ebraiche".

A declaração chega após um fim de semana de protestos em algumas cidades da Itália contra a decisão do governo de exigir comprovante de vacinação contra Covid, cura ou exame negativo para acessar determinados lugares a partir de agosto, como restaurantes, bares, cinemas, teatros e academias.

Durante as manifestações, os grupos antivacinas se compararam a judeus perseguidos pelo nazismo e se disseram vítimas de uma "ditadura". Muitas pessoas saíram às ruas exibindo em suas roupas a estrela de Davi, que era usada para marcar judeus durante o Holocausto.

"O uso distorcido da memória é uma moda vergonhosa que dura há muito tempo", acrescentou Segre, dizendo esperar que os antivacinas representem uma "minoria". "Como alguém não se vacina contra uma doença terrível como essa?", questionou.

A própria senadora se vacinou em fevereiro passado e foi alvo de insultos antissemitas na internet. "Disseram até que eu tinha ações da Pfizer. Quem me dera, mas infelizmente não as tenho", ressaltou.

Segre ainda mandou um recado a quem enxerga teoria da conspiração em todo lugar: "Fiquem em casa, sozinhos. Não saiam nas ruas, não vão ao mundo, não prejudiquem os outros".

Trajetória - Nascida de uma família laica judia de Milão em 10 de setembro de 1930, Segre tinha apenas 13 anos quando foi deportada para Auschwitz-Birkenau, na Polônia.

Ao chegar ao campo de extermínio, foi separada do pai, com quem não voltaria mais a se reunir. Com o número 75.190 tatuado no braço, a jovem fez trabalhos forçados em uma fábrica de munições e, em janeiro de 1945, participou da chamada "marcha da morte", a transferência de prisioneiros da Polônia para a Alemanha.

Segre foi libertada em maio daquele mesmo ano pelo Exército soviético e passou a viver com os avós maternos, os únicos sobreviventes da família.

Em janeiro de 2018, após uma vida dando testemunho dos horrores do Holocausto e de sua superação, especialmente para jovens, foi nomeada senadora vitalícia pelo presidente da Itália, Sergio Mattarella.

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