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Naufrágio no Canal da Mancha eleva tensão entre França e GB

25/11/2021 15h55

PARIS, 25 NOV (ANSA) - A morte de pelo menos 31 migrantes que tentavam cruzar o Canal da Mancha em uma pequena embarcação que naufragou nesta quarta-feira (24) está alimentando as tensões entre a França e o Reino Unido sobre como impedir que as pessoas atravessem uma das vias mais movimentadas do mundo.   

Apesar da promessa do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, e do presidente francês, Emmanuel Macron, de que "farão todo o possível" para impedir que contrabandistas ponham vidas em risco, políticos de ambos os lados do canal já estão criticando o fato de a tragédia não ter sido evitada.   

As autoridades britânicas criticam a França por rejeitar a oferta da polícia e de oficiais de fronteira de conduzir patrulhas conjuntas ao longo da costa do canal com a polícia francesa. Já do lado França, os político dizem que o Reino Unido está alimentando a crise porque é muito fácil para os migrantes permanecerem no país e trabalharem se conseguirem cruzar o canal.   

Em meio a acusações, o governo de Johnson irá debater o crescente número de migrantes que está cruzando o canal em pequenos barcos, enquanto Macron deve discutir o assunto com funcionários da União Europeia.   

Ontem, ao menos 31 migrantes morreram no naufrágio no Canal da Mancha, incluindo sete mulheres, sendo uma grávida, e três crianças, segundo relatos do Ministério do Interior francês, Gerald Darmanin, à rádio RTL.   

Ao todo, 34 pessoas estavam a bordo do barco naufragado, sendo que dois - um iraquiano e outro somali - foram resgatados e hospitalizados em estado crítico por hipotermia, de acordo com o governo da França.   

Após a tragédia, a França convidou "os ministros da imigração da Bélgica, Alemanha, Holanda e Reino Unido, bem como a Comissão Europeia, para uma reunião" no domingo (28), em Calais, conforme noticiado pela assessoria de imprensa do primeiro-ministro francês, Jean Castex, após cúpula interministerial de crise.   

Ontem à noite, um pequeno protesto foi realizado em Calais para homenagear as vítimas da tragédia e pedir um melhor tratamento para os migrantes. "Quantas mais mortes deve haver?" e "30 anos de anúncios, de tratamento desumano e degradante", dizem as algumas das faixas erguidas pelos manifestantes.   

Apesar do mau tempo, dois outros barcos com cerca de 40 migrantes a bordo chegaram a Dover, no Reino Unido, nesta manhã.   

Os pedidos de asilo no território britânico atingiram o seu nível mais elevado em quase 20 anos, impulsionados pelo aumento das travessias migratórias do Canal da Mancha, conforme os últimos dados divulgados.   

Homenagem - Hoje, a Assembleia Plenária do Parlamento Europeu reunida em Estrasburgo respeitou um minuto de silêncio em memória dos migrantes afogados no Canal da Mancha. "Hoje lamentamos as vítimas, mas também devemos agir para garantir que isso não aconteça novamente", escreveu o presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli, no Twitter . (ANSA)
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