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Conteúdo publicado há
2 meses

Cartolas da Juventus são investigados por crimes financeiros

27/11/2021 11h16

TURIM, 27 NOV (ANSA) - Os principais cartolas da Juventus estão sendo investigados pelo Ministério Público da Itália por suspeitas de irregularidades financeiras e fraudes nos balanços do clube, que é cotado na Bolsa de Valores de Milão, entre 2019 e 2021.   


O inquérito mira inclusive as relações econômicas entre a Juve e o craque português Cristiano Ronaldo, hoje no Manchester United, e diversas transações envolvendo jogadores sub-23, como o empréstimo do brasileiro Matheus Pereira ao Barcelona.   


Seis cartolas são investigados: o presidente Andrea Agnelli, o vice-presidente Pavel Nedved, o ex-diretor esportivo Fabio Paratici (atualmente no Tottenham), o diretor financeiro Stefano Cerrato, o ex-diretor financeiro Stefano Bertola e o ex-dirigente Marco Re. A Juventus também é alvo do inquérito enquanto pessoa jurídica.   


Na última sexta (26), após o fechamento do mercado acionário, a Guarda de Finanças, espécie de Polícia Federal da Itália, realizou uma operação de busca e apreensão nos escritórios do clube em Turim e Milão para recuperar documentos relativos ao período entre 2019 e 2021.   


A suspeita dos investigadores é de que os cartolas tenham praticado crimes de falsa comunicação corporativa e emissão de notas frias para operações inexistentes.   


De acordo com o Ministério Público, a Juventus realizou investimentos além das previsões orçamentárias e outras operações "pouco precisas", incluindo pagamento de salários excessivos.   


Segundo os investigadores, o clube lançava em seus balanços ganhos de capital fictícios provenientes da compra e venda de jogadores, receitas que seriam de "natureza meramente contábil".   


As operações suspeitas totalizam pouco mais de 280 milhões de euros em três anos.   


Dessa forma, o prejuízo da Juve em 2018/19 teria sido de 171 milhões de euros, ao invés dos 39 milhões anunciados no balanço oficial; em 2019/20, de 209 milhões, ao invés de 89 milhões; e em 2020/21, de 240 milhões, ao invés de 209 milhões.   


O Ministério Público acredita que Paratici era o "artífice" das irregularidades, mas que o conselho de administração estava ciente dessa conduta, "a começar pelo presidente Andrea Agnelli".   


Os investigadores suspeitam inclusive das relações econômicas com Cristiano Ronaldo, que deixou o clube no meio do ano e não é investigado. Em uma interceptação telefônica, um dirigente não identificado citou "um documento famoso que, em teoria, não deveria existir" e abordaria a remuneração do português.   


A Juventus também é suspeita de usar transações de jogadores para mascarar prejuízos em seus balanços. Uma delas é a compra de Marley Aké, do Olympique de Marseille, por 8 milhões de euros, em troca da cessão pelo mesmo valor de Franco Tongya, cria das categorias de base da Velha Senhora.   


Outro caso é a aquisição do atacante Alejandro Márques, do Barcelona, por 8,2 milhões de euros, em troca do empréstimo com opção de compra do meio-campista brasileiro Matheus Pereira, ex-Corinthians e avaliado em 8 milhões de euros.   


Os investigadores acreditam que a Juventus usava a cessão de jovens jogadores por "valores fora do padrão" para esconder prejuízos. Ou seja, o clube comprava um atleta por determinada quantia, mas, para não lançar esse número no balanço, dizia que havia cedido um jogador por um montante parecido.   


A Juve também realizou diversas operações semelhantes com membros de seu elenco principal, como a compra do meio-campista brasileiro Arthur, do Barcelona, por 72 milhões de euros. Esse valor foi em parte compensado pela venda de Miralem Pjanic para o time catalão por 60 milhões de euros, cifra que causou surpresa na época.   


A Juventus ainda não se pronunciou sobre o inquérito, mas suas dificuldades financeiras já são conhecidas. O conselho de administração aprovou nesta semana as condições definitivas de um aumento de capital que vai injetar 400 milhões de euros nos caixas do clube. (ANSA).   


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