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1 mês

Um em cada 3 membros do Parlamento australiano é vítima de abuso

30/11/2021 16h03

ROMA, 30 NOV (ANSA) - Um relatório divulgado nesta terça-feira (30) revelou que casos de assédio sexual e de bullying são comuns no Parlamento da Austrália, especialmente contra legisladores e funcionários.   

De acordo com os dados, uma em cada três funcionárias atualmente no Parlamento "já foi vítima de alguma forma de assédio sexual durante o trabalho".   

O inquérito contou com a contribuição de 1,7 mil pessoas, incluindo 63% das mulheres parlamentares do país. Ao todo, 37% afirmaram ter sofrido assédio psicológico e 33% assédio sexual trabalhando na instituição.   

Falando sobre o relatório, a comissária de Discriminação Sexual, Kate Jenkins, afirmou que a maioria das vítimas de abuso são mulheres. No total, 63% declaram ter sofrido assédio sexual, contra 24% dos homens. A média nacional é de 39% entre as mulheres.   

No geral, 51% de todos os funcionários parlamentares do país sofreram pelo menos um caso de bullying, assédio sexual ou tentativa de agressão sexual. Além disso, pouco mais de um quarto das pessoas que sofreram assédio sexual apontaram um membro do Parlamento como culpado.   

"Essas experiências deixam um rastro de devastação para os indivíduos e suas equipes e prejudicam o desempenho de nosso Parlamento em detrimento da nação", explicou Jenkins.   

Um dos relatos das entrevistadas revela que "os jovens políticos não hesitam, em alguns casos, em agarrar você pelo braço, beijar sua boca, levantar, tocar, dar um tapa na bunda, fazer comentários sobre sua aparência, você sabe, o de sempre, o que a cultura permite".   

O documento sobre a "cultura sexista" da instituição foi solicitado pelo governo após uma violação ocorrida há dois anos em um gabinete e é resultado de sete meses de investigação.   

O estupro foi denunciado por Brittany Higgins, agora ex-funcionária do governo, que havia contado ter sido vítima de abuso por um colega no gabinete do então vice-ministro da Defesa após uma noite com um grupo de membros do Partido Liberal.   

O episódio chocou o mundo político australiano, e as declarações, que estão sendo examinadas pela justiça, provocaram manifestações e pedidos de reforma.   

O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, disse que o comportamento divulgado no documento era "terrível" e "perturbador" e ressaltou que "todos nós compartilhamos da propriedade dos problemas expostos no relatório e todos compartilhamos das soluções".   

"É importante entendermos que essas culturas não aparecem em um curto período de tempo - elas aparecem em um longo período de tempo", afirmou. (ANSA)
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