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WTA suspende torneios de tênis na China por 'caso Shuai Peng'

01/12/2021 18h28

PARIS, 1 DEZ (ANSA) - A Associação de Tênis Feminino (WTA) anunciou nesta quarta-feira (1º) a suspensão de todos os torneios de tênis feminino na China, incluindo Hong Kong, por estar preocupada com a situação da tenista Peng Shuai.   


A entidade alega que não tem provas que a atleta esteja em liberdade após denunciar o ex-vice-primeiro-ministro do país asiático, Zhang Gaoli, de abuso sexual.   


A informação foi confirmada por meio de um comunicado, no qual o presidente da WTA, Steve Simon, afirma que é "impraticável" manter as disputas no território chinês, tendo em vista que as atletas e suas equipes podem ter suas liberdades colocadas em risco.   


"Eu não vejo como pedir para nossas atletas irem competir onde Shuai Peng não está podendo se comunicar livremente e parece estar sofrendo pressão para desmentir suas alegações de abuso sexual. Dada a atual situação, também estou muito preocupado com os riscos que todos os nossos jogadores e equipe poderiam enfrentar se realizássemos eventos na China em 2022", disse.   


Simon também prometeu proteger tanto Shuai quanto outras tenistas que possam sofrer retaliações parecidas. "Se pessoas poderosas puderem suprimir as vozes das mulheres e varrer as acusações de agressão sexual para debaixo do tapete, então a base sobre a qual a WTA foi fundada - igualdade para as mulheres - sofreria um retrocesso imenso. Não vou e não posso deixar que isso aconteça com a WTA e seus jogadores", acrescentou.   


Na nota, o líder da entidade também criticou o governo chinês e afirmou que "nada disso é aceitável e nem pode se tornar aceitável".   


"As autoridades chinesas tiveram a oportunidade de cessar essa censura, provar de forma verificável que Peng é livre e capaz de falar sem interferência ou intimidação e investigar a alegação de agressão sexual de maneira completa, justa e transparente.   


Infelizmente, a liderança na China não abordou essa questão tão séria de maneira confiável", explicou Simon.   


Uma das maiores estrelas do esporte na China, Peng estava desaparecida da mídia e das redes sociais desde que acusou Gaoli, um importante político do Partido Comunista chinês, de tê-la agredido sexualmente. A publicação da tenista na rede social Weibo, uma espécie de Twitter da nação asiática, foi excluída rapidamente pelos censores.   


A falta de esclarecimentos sobre o desaparecimento de Peng fez a WTA ameaçar deixar a China de fora do circuito profissional.   


Logo depois, porém, a atleta, de 35 anos, participou de uma videochamada com o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, e assegurou que está "segura" e "bem".   


"A WTA foi clara sobre o que é necessário aqui, e repetimos nosso apelo por uma investigação completa e transparente - sem censura - da acusação de agressão sexual de Peng Shuai", concluiu. (ANSA)
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