Sem ação, futuro de EUA e Burundi é emitir mais CO2

Estados Unidos e Burundi estão em extremos opostos da lista de emissões de CO2 no ambiente, mas os dois países têm algo em comum: se nada for feito para combater as emissões, ambas as nações têm perspectivas de aumentar o seu nível de poluição nos próximos anos.De um lado, os Estados Unidos, hoje um dos países com maior índice de emissão de CO2 do mundo, não possuem mecanismos suficientes para incentivar seus cidadãos e empresários a poluírem menos. No outro extremo, o Burundi é hoje um dos países que menos poluem, mas todos os esforços do país estão voltados para o combate à miséria e para o crescimento econômico, sem preocupações com o ambiente.Estados Unidos e Burundi são exemplos dos desafios enfrentados pelas delegações dos 192 países que discutirão soluções para o problema do aquecimento global em Copenhague, no próximo dia sete.No momento, há duas soluções em pauta que tentam lidar com os dois desafios distintos: nos Estados Unidos, reduzir as emissões de CO2; e no Burundi, fazer com que o país cresça economicamente, mas de forma sustentável.EUA: Mercado de carbonoEm Miami, a BBC Brasil visitou Brian Scheinblum, dono de uma rede de hotéis na luxuosa praia de Miami Beach. Em dezembro, na mesma época do encontro em Copenhague, ele está reinagurando seu hotel após uma reforma para reduzir em 80% as emissões do hotel.Tudo no hotel é pensado do ponto de vista ecológico - o piso, o estofado das camas, as cadeiras e as peças de metal são de material reciclado. Os travesseiros são feitos 100% com plástico reciclado de garrafas descartáveis. No teto, Brian está instalando painéis solares e uma turbina de vento. A água do banho é esquentada pela energia gerada pelos aparelhos de ar condicionado.Tirando os painéis solares, que foram feitos com incentivo do governo, todo o investimento foi feito por iniciativa própria do empresário."Tudo que pessoas como nós pudermos fazer para melhorar o ambiente, nós devemos fazer, independente de se governo está ajudando ou não", diz Scheinblum.A falta de incentivos para que as pessoas invistam no meio ambiente é um problema que o governo e o Congresso dos Estados Unidos estão tentando resolver.A solução em discussão é a criação de um mercado de crédito de carbono, nos moldes do que existe hoje na Europa. Um projeto de lei conhecido como Waxman-Markey, que está tramitando no Congresso americano, prevê a criação de um esquema cujo objetivo é incentivar as empresas a reduzirem as emissões de CO2.Pela lei, as empresas americanas receberiam do governo uma "cota de CO2", que determina o quanto cada empresa pode poluir o planeta. As companhias que desejassem expandir sua produção teriam duas alternativas: comprar créditos de CO2 no mercado para poder produzir e poluir mais, ou investir em tecnologias limpas para produzir mais gerando a mesma quantidade de CO2.Igualmente, as empresas que investissem em tecnologias limpas poderiam vender o excedente da sua cota de CO2 no mercado. Com o tempo, as cotas distribuídas às empresas seriam reduzidas, as forçando a reduzir suas emissões e investir no meio ambiente.O objetivo do projeto Waxman-Markey é fazer com que o setor produtivo dos Estados Unidos reduza as suas emissões. Consequentemente, a pegada ambiental geral dos americanos cairia, já que os produtos consumidos seriam mais ecológicos. Um esquema do tipo já existe em Chicago hoje, mas ele é voluntário e depende da iniciativa das próprias empresas.Burundi: Fundo para países pobresNo Burundi, o problema do país é a falta de recursos para o seu desenvolvimento. Na capital do país, a BBC Brasil encontrou com a jovem Niyunkuru Fabiola, de 18 anos, que trabalha arando a terra. Ela é um exemplo das pessoas com renda média per capita de US$ 110 anuais em busca de melhores condições de vida.O desafio do Burundi é elevar a renda de pessoas como ela, com investimentos na agricultura e na indústria. Preocupações ambientais são secundárias no país, que em 2004 deixou para traz uma década de guerra civil e estagnação econômica.Para resolver o problema de nações como o Burundi, a China e outros países em desenvolvimento propõem que as nações ricas contribuam com 1% do seu PIB anual para um fundo. Os recursos - estimados na ordem de US$ 300 bilhões - seriam aplicados para que os países pobres se desenvolvam com tecnologias limpas e baixas emissões de gases nocivos ao ambiente, exatamente ao contrário do que as nações ricas fizeram no passado.Para Michael Levi, especialista em energia e ambiente do instituto americano Council on Foreign Relations, a proposta da China é ambiciosa e enfrenta resistências."Políticos ocidentais não terão disposição para mandar nada perto dessa quantia para seus competidores econômicos para assegurar um acordo", escreveu Levi em um artigo recente.Na União Europeia, alguns países do Leste Europeu, como a Bulgária e a Romênia, já se manifestaram contra a proposta, argumentando que eles estariam contribuindo para algumas nações emergentes mais ricas que elas próprias, como o Brasil.

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