Empresa chinesa contratará psicólogos para conter suicídios

A fabricante de eletrônicos Foxconn, de Taiwan, anunciou que vai contratar dois mil profissionais de saúde mental para tentar conter uma onda de suicídios em suas fábricas na China, informou a edição online do jornal de Hong Kong South China Morning Post.

Entre os contratados estarão psicólogos, terapeutas e 50 profissionais de recursos humanos, que receberão salários entre US$ 29 mil e US$ 87 mil por ano.

O anúncio foi feito dias após mais um funcionário - o nono desde o início do ano - ter se suicidado, pulando da janela de um edifício.

Houve pelo menos 11 tentativas de suicídio de funcionários neste ano. Dois trabalhadores sobreviveram, apesar de gravemente feridos.

No início do mês, a empresa anunciou que pretendia chamar monges para orar pelas almas dos suicidas e para abençoar a companhia.

Prevenção A Foxconn - que fabrica o iPhone, da Apple - emprega mais de 700 mil pessoas. Cerca de 300 mil delas trabalham em duas fábricas da empresa nas províncias de Shenzhen e Hebei, na China continental.

Seu fundador, Terry Gou, insiste que as fábricas não mantêm trabalhadores em condições ruins, com salários baixos e longas jornadas.

A empresa instalou um balcão de recrutamento em uma feira de empregos na cidade de Shenzhen para contratar os dois mil especialistas em saúde mental.

Esta é a primeira iniciativa desse tipo desde que a Foxconn instalou suas filiais na região, em 1988.

Além de convocar monges e anunciar o recrutamento de psicólogos, a Foxconn disse também ter criado um sistema para recompensar empregados que ajudem a identificar colegas com problemas mentais e uma linha telefônica dedicada aos trabalhadores.

Investigação No ano passado, em um caso que ganhou repercussão mundial, um funcionário da Foxconn se suicidou após ser interrogado sobre o sumiço de um protótipo de uma nova versão do iPhone.

O caso levou a Apple a anunciar uma investigação sobre acusações de más práticas de trabalho na empresa.

Segundo a Apple, a investigação revelou que alguns funcionários da Foxconn estavam cumprindo jornadas mais longas do que a jornada máxima permitida e que cerca de 25% não estavam tendo um dia de descanso por semana.

A ONG americana China Labour Watch, que faz campanha pelos direitos dos trabalhadores, criticou a Foxconn por manter o que considerou ser "uma administração estilo militar e condições de trabalho ruins" e pediu que a empresa "inicie uma análise aprofundada da vida nas suas linhas de produção".

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