Falta de transporte público dificulta acesso aos estádios na África do Sul

Desde o início desta Copa do Mundo, na última sexta-feira, um dos maiores problemas enfrentados por torcedores na África do Sul tem sido chegar e sair dos estádios.

Em Johanesburgo, a maior cidade do país, a situação é ainda mais dramática, já que o trânsito gerado pelos jogos afeta todo o resto da circulação.

Décadas de apartheid fizeram com que o transporte público se tornasse um dos problemas da África do Sul. Sem direito a ônibus e sem dinheiro para táxis, a população negra se viu obrigada a criar um sistema alternativo de transporte muito semelhante ao das vans das grandes capitais brasileiras.

Com a chegada da Copa do Mundo, projetos como corredores de ônibus e um trem rápido para o aeroporto internacional finalmente saíram do papel. Mas incidentes isolados como uma greve-relâmpago de motoristas ou o atraso na entrega do trem geraram uma certa desconfiança por parte dos torcedores sul-africanos e estrangeiros, que acabam optando por ir de carro às partidas.

"Aqui não tem ônibus, não tem metrô, é difícil pegar táxi. Nossa saída foi alugar um carro mesmo", disseram à BBC Brasil dois turistas brasileiros que se dirigiam ao estádio Ellis Park para o jogo Argentina x Nigéria, no último sábado.

"Não esperávamos esse trânsito e esperamos chegar a tempo", contou um grupo de argentinos preso no mesmo engarrafamento.

Modelo brasileiro Para John Spiropoulos, diretor da empresa de planejamento urbano sul-africana Urban Genesis, um dos problemas foi a "pressa" com que os projetos foram executados.

"Todo sistema de transporte público tem que ser entendido, planejado e instalado de uma maneira muito lógica e bem estruturada", disse ele à BBC Brasil. "A África do Sul já precisava melhorar seus transportes e a Copa do Mundo acabou criando uma pressão sobre o governo. Isso tem seu lado positivo, mas acabou fazendo com que muitas iniciativas não tenham saído como o esperado." Nos dias anteriores ao início do Mundial, por exemplo, os perueiros de Johanesburgo fizeram um protesto quando descobriram que as autoridades pretendiam tirar boa parte das vans das ruas. Um ônibus do novo sistema Rea Vaya, criado especialmente para a Copa, chegou a ser alvo de tiros.

Muitos passageiros também reclamaram da falta de clareza sobre as rotas e os pontos desses ônibus, que circulam em corredores especiais, em um sistema inspirado pelo modelo de São Paulo e outras capitais brasileiras.

"Fomos até o Brasil conhecer o que vocês fizeram", disse à BBC Brasil Jason Ngbeni, secretário de desenvolvimento econômico da prefeitura de Johanesburgo. "Vocês, na questão de transporte público, estão muito bem. Melhor do que a África do Sul estava quando soube que iria sediar este mundial." Trem-bala A vedete de Johanesburgo, no entanto, tem sido o Gautrain, uma linha rápida que liga o aeroporto internacional ao coração financeiro da cidade.

Apesar de ter um trajeto restrito e de ter sido inaugurado três dias antes do início da Copa, o trem tem circulado com mais de 100% de sua capacidade, segundo a empresa que o opera.

Os planos são de estender a linha até o centro antigo de Johanesburgo e até a capital sul-africana, Pretória.

No Brasil, o governo tem como meta instalar até a Copa de 2014 um trem de alta velocidade ligando Campinas, São Paulo e Rio, com estações nos principais aeroportos das três cidades.

O projeto ainda está em fase de consultas com os municípios afetados pelo trajeto.

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