Por Maradona, Nápoles torce pela Argentina na Copa

A cidade italiana de Nápoles decorou suas ruas e fachadas com as cores da Argentina, em retribuição à declaração feita pelo técnico da seleção, Diego Maradona, de que sonha em dirigir a equipe da cidade, o Napoli.

Faixas e bandeirolas com cores da Argentina vêm se multiplicando na cidade desde domingo, quando Maradona fez a revelação, em uma entrevista coletiva antes da partida contra o México.

É um sinal de apoio e reconhecimento de uma população que não esqueceu os bons e maus momentos vividos juntos com Maradona quando o craque jogou no Napoli, entre os anos de 1984 e 1991.

No famoso Quartieri Spagnoli, "termômetro social" da cidade, as ruas e vielas de um dos bairros mais tradicionais de Nápoles foram decoradas com bandeirinhas brancas e azuis e com fotografias de Diego Armando Maradona.

E neste sábado, boa parte de cidade vai parar e assistir ao jogo da Argentina contra a Alemanha, pelas quartas de final da Copa.

O dono do Napoli, Aurelio De Laurentis, avisou que gostaria de realizar um amistoso beneficente, no estádio São Paulo, entre a seleção de Maradona e a equipe da cidade - campeã italiana duas vezes, em 1986/7 e 1989/0, graças às jogadas geniais do atacante argentino. Seria a segunda vez. Pouco antes da Copa do Mundo de 1986, a Argentina enfrentou o Napoli, com Maradona jogando como capitão um tempo em cada time.

"Não creio que Maradona estivesse brincando quando afirmou que quer treinar o Napoli. Maradona, mais uma vez, demonstrou a sua estima, o seu afeto pela cidade e pelos torcedores, certamente, se isto puder acontecer, ele vai aceitar", disse para a BBC Brasil, o ex-capitão do time, do tempo das conquistas com Maradona, Giuseppe Bruscolotti, hoje dono de um restaurante, chamado Napoli 87, em homenagem à conquista do título histórico.

'Santo Maradona' A chegada do craque Maradona ao Napoli, comprado ao Barcelona em 1984, deu início a um período de glórias inesquecíveis na história do clube. A conquista do primeiro scudetto, três anos depois, o transformaria em um mito para os napolitanos. O segundo título viria na temporada de 89/90.

A "santificação" chegou logo. Em meio a tantos altares e púlpitos espalhados pela cidade, dentro e fora das igrejas, um, em especial, foi dedicado a Maradona. Na Piazzetta Nilo, na rua San Biaggio dei Librai, existe um altar em sua devoção. Uma foto e um cacho de cabelos são objetos de adoração por parte dos torcedores. Alguns deles, antes de um jogo importante, rezavam diante da imagem do Pibe de Oro, o menino de ouro, em dialeto napolitano.

Ele também é nome de praça e de vielas - a de Tre Re virou Piazza Diego Armando Maradona - e figura em murais espalhados pela cidade.

"Sua vinda ao Napoli fez com que Nápoles pudesse se igualar às outras cidades, aos outros times, que antes dificilmente poderiam ser derrotados. Ele chegou e começamos a saborear vitórias de prestígio, contra Juventus, Inter e Milan, os clubes que venciam", afirma Bruscolotti.

Em Nápoles, a fama de Maradona empata com a do vulcão Vesúvio, que domina o horizonte da cidade, e somente perde, por pouco, para a do padroeiro da cidade, San Gennaro. Ninguém se espanta com a veneração ao jogador, por parte dos napolitanos, sejam eles ateus, religiosos ou supersticiosos. O ex-camisa 10 do Napoli, autor de 115 gols em sete temporadas no campeonato italiano, foi elevado a divindade pela torcida.

Drogas Mas a fama, o assédio e a suposta influência de más-companhias como membros da Camorra, a máfia napolitana, acabaram levando o craque a se envolver com drogas como cocaína. Em março de 1991, na última temporada, a droga foi detectada em um teste anti-doping.

O seu rendimento começou a cair e seu comportamento errático acabou expondo-o à críticas na Itália. Maradona acabaria deixando o país - e deixando, também, uma dívida em impostos - ainda pendente- na ordem de 30 milhões de euros e um filho, que teve fora do casamento, reconhecido poucos anos atrás.

O ex-capitão Giuseppe Bruscolotti lembra daqueles dias: "Foi um período ruim... porque quando ouvia determinadas coisas... quando se trata de um amigo, de um companheiro nos dá uma grande tristeza, infelizmente, sabemos que a vida pode reservar surpresas desagradáveis...foi um momento pouco feliz para ele, para todos nós...todos podem errar...ele admitiu pessoalmente que errou e pagou pessoalmente...e sobre isso não tenho nada mais a dizer", diz.

Por causa da cocaína no anti-doping, ele foi suspenso por dois anos. No retorno aos gramados, já pelo clube espanhol Sevilha, Maradona era uma sombra de si próprio. Depois, ele retornaria às origens, no argentino Newell's Old Boys e Boca Juniors, onde encerraria a carreira.

Entre 2000 e 2007, ele passaria por uma série de problemas de saúde como excesso de peso, hipertensão, arritmia cardíaca. Aos poucos, com internações para desintoxicações e cirurgias em clínicas especializadas no exterior, Maradona se recuperou.

O lugar de técnico da seleção argentina o trouxe de volta para os campos, para a sua área. "Eu acho que é uma nova vida, ele voltou ao seu ambiente, ao ambiente da sua vida, está servindo muito e servirá ainda mais porque um campeão como ele tem que estar neste mundo, à parte a sua imagem, que sempre é um motivo de atração, até quando ele faz embaixadinhas todos param para ver", disse Giuseppe Bruscolotti.

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