De olho em negócios, Lula promove Vale e Petrobras na Tanzânia

De olho nas oportunidades de negócio na África, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu nesta quarta-feira um empurrão nos interesses das empresas brasileiras Petrobras e Vale na Tanzânia.

Durante a visita de um dia do presidente a Dar es Salaam, a petroleira brasileira assinou com a agência de petróleo da Tanzânia um acordo para desenvolver parcerias na área de biocombustível, tendo como horizonte o desejo do governo tanzaniano de adicionar até 9% de etanol na gasolina vendida no país.

Já em relação à Vale, o presidente Lula pediu que as autoridades tanzanianas considerem com atenção os planos da mineradora brasileira de participar de uma licitação para explorar uma mina de carvão na fronteira entre a Tanzânia e Moçambique.

É a primeira visita de um presidente brasileiro à Tanzânia, e o volume de negócios gerado entre os dois países ainda é modesto. No ano passado, as trocas comerciais chegaram a apenas US$ 31 milhões.

Entretanto, Lula argumentou que a estabilidade política e as taxas de crescimento da Tanzânia - 5% estimados para este ano, depois de se expandir a cerca de 6% na média anual da última década - abrem diversas oportunidades de negócio.

'Machingas' Lula comparou a postura comercial de seu governo, de elevar a importância do comércio com os países africanos, à postura dos "machingas" - como são chamados os camelôs na Tanzânia.

"Em um mundo globalizado, a disputa está cada vez mais acirrada. Ninguém está esperando nenhum comprador passar na porta da sua casa para comprar. Cada um de nós tem que sair cada vez mais, viajar cada vez mais, batermos cada vez mais em portas diferentes, tentando vender os nossos produtos, porque antes e depois de nós, outros vendedores passarão vendendo produtos." Ao longo do dia, o presidente da Tanzânia, Jakaya Kikwete, lembrou que seu país precisa de recursos para desenvolver projetos de infraestrutura e desenvolvimento agrícola, e disse acreditar que o Brasil possui "músculo" e "capacidade financeira" para financiar projetos nessas áreas.

"Precisamos de investimentos. E existe capital no Brasil procurando mercados para se expandir", afirmou Kikwete durante um encontro empresarial reunindo participantes dos dois países. "O Brasil não é mais um país em desenvolvimento, é um país desenvolvido." Acordos O acordo sobre etanol foi um dos três assinados em Dar es Salam entre a Tanzânia e o Brasil. Os outros dizem respeito à cooperação geral e a projetos de redução de emissões por desmatamento e degradação.

O entendimento em biocombustível abre portas para o intercâmbio técnico e de pessoal entre os dois países para, primeiro, estudar quanto poderia ser o percentual da mistura da gasolina no caso da Tanzânia.

O governo quer, no futuro, adicionar 9% de etanol ao combustível, mas prevê que só essa parte técnica do acordo leve um ano para ser concluída.

O diretor da agência petroleira da Tanzânia, general Robert Mboma, disse à BBC Brasil que a parceria ampliará a presença da Petrobras no país. A gigante brasileira já conta com o direito de explorar três campos de petróleo no Oceano Índico, concorrendo com outros pesos pesados, como a norueguesa Statoil e a americana Exxon Mobil.

Vale Outro possível campo para cooperação é o setor de mineração. O presidente da Vale, Roger Agnelli, disse que a mina de carvão na mira de sua empresa é uma continuação geográfica natural do projeto da mineradora em Moatize, Moçambique.

Em Moatize, a mineradora extrai atualmente 12 milhões de toneladas de carvão, mas pretende a partir do ano que vem iniciar uma ampliação para atingir 24 milhões de toneladas e, eventualmente, chegar a 40 milhões de toneladas - equivalente, segundo Agnelli, ao consumo de carvão do Brasil.

O investimento em Moatize é de cerca de US$ 2 bilhões, sendo que o PIB de Moçambique é de US$ 6 bilhões, disse o empresário.

Em relação à Tanzânia, ele não deu valores precisos sobre o potencial de investimento ou produção, mas garantiu que será "de ordem semelhante, para um PIB de US$ 12 bilhões".

A Vale tem projetos em Zâmbia, Congo, Angola, Guiné, África do Sul e Gabão, e Agnelli disse que a empresa também está inclinada a analisar planos da Tanzânia nas áreas de cobre, níquel, fosfato e potássio.

China Defendendo a causa da mineradora, o presidente Lula tocou abertamente em um tema que tem sido implícito nesta viagem: a concorrência com a China pelos mercados africanos.

Lula lembrou a fracassada disputa entre a mineradora e uma concorrente chinesa envolvendo um projeto de minério de ferro no Gabão em 2006.

"Nada contra os meus amigos chineses. Pelo contrário, é um grande parceiro nosso e queremos manter a nossa parceira estratégica. Mas a verdade é que às vezes eles ganham a mina e trazem todos, chineses, para trabalhar naquela mina e fica sem gerar oportunidade de trabalho para os trabalhadores do país", disse.

"É importante que se deem conta de que a Vale tem que vir aqui, fazer investimentos, gerar emprego aqui e contratar trabalhadores da Tanzânia para trabalhar nos projetos, e não trazer trabalhadores do Brasil, como alguns fazem, que não é boa política."

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