Irã reage a pressão pró-condenada com 'versão' de assassinato, diz jornal

Uma reportagem do jornal "New York Times" desta quarta-feira sugere que o Irã elevou as acusações contra uma mulher sentenciada ao apedrejamento para responder às críticas da comunidade internacional sobre a maneira como tem lidado com o assunto.

Sob pressão internacional por conta da oferta brasileira de acolher Sakineh Ashtiani, a mãe de dois filhos de 43 anos condenada à morte por adultério, o país tem mudado a sua "versão" para uma em que o principal crime passa a ser o de "assassinato", diz o jornal.

Como evidênica, o "NYT" destaca que a primeira reação iraniana à oferta do presidente Lula foi dizer que o líder brasileiro está "mal-informado dos detalhes da condenação" de Sakineh.

"O comentário veio após reportagens do serviço de notícias conservador Jahan, que afirmou, sem citar fontes, que Ashtiani havia sido condenada pelo assassinato de seu marido, mas que os juízes não haviam liberado informações à imprensa porque os detalhes da morte 'eram demasiadamente assustadores'", escreveu o "NYT".

Em outra reportagem sobre o mesmo tema, o jornal "The International Herald Tribune", do mesmo grupo, afirma que o Jahan News é visto como uma fonte confiável do pensamento do governo iraniano.

Para o jornal, o Irã "desdenhou" a oferta brasileira, que teria sido recebida "com frieza" pelo establishment conservador do país.

Na opinião do diário americano, a postura iraniana pode "introduzir uma pressão no que tem sido um relacionamento cada vez mais cordial" entre o Brasil e o Irã.

"(A reação) também reforçou a visão dos críticos de que o Irã possui uma forma bárbara de justiça que é especialmente repressiva em relação às mulheres." Pró-mulher A questão da repressão às mulheres no Irã e a oferta do presidente Lula não passou despercebida nas reportagens da imprensa estrangeira.

O diário francês "Le Monde" observou que Lula fez sua proposta durante um comício eleitoral "em favor - e em presença - de sua sucessora, a candidata Dilma Rousseff".

"Esta sublinhou que a decisão de Teerã 'fere a nós, que temos sensibilidade, humanidade'", escreveu o "Monde".

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