Educação e reforma política despertam troca de farpas em debate

A eficiência de iniciativas na área da educação, como o Prouni e o Enem, além da importância de uma reforma política no Brasil, despertaram troca de farpas entre os três principais candidatos a Presidência, que participaram nesta quarta-feira de um debate online promovido pelo jornal Folha de S. Paulo e pelo portal UOL.

O clima ficou mais tenso entre os presidenciáveis quando a candidata do PT, Dilma Rousseff, acusou o Democratas - partido aliado ao candidato José Serra, do PSDB - de ter entrado com um processo no Supremo Tribunal Federal "contra" o Prouni, o programa do governo federal para levar estudantes de baixa renda à universidade.

O tucano respondeu que a medida não era "contra a existência do Prouni, mas sim uma questão de constitucionalidade" e aproveitou o momento para criticar o PT por ter feito oposição a projetos do governo anterior, como a Lei de Responsabilidade Fiscal e o Plano Real.

"Nesse torneio de quanto pior, melhor, o PT é campeão", disse Serra.

A candidata Dilma Rousseff deu seguimento ao confronto: "a diferença é que nós reconhecemos que votamos errado", acrescentando que o processo contra o Prouni era uma questão "ainda presente".

Enem
Em um outro momento de confronto, Serra disse que o Enem, exame criado nos anos 90 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso para avaliar a qualidade do ensino médio no país, está agora "desmoralizado" diante da denúncia de vazamento da prova durante o governo Lula.

A candidata do PT reagiu à crítica: "Acho um absurdo um candidato vir aqui dizer que o Enem está desmoralizado porque houve um problema com a gráfica", afirmou Dilma, acrescentando que o importante era o problema ser "investigado".

Já a candidata do PV, Marina Silva, que nesse momento do debate não foi questionada, aproveitou o tempo para uma de suas perguntas para se dizer "preocupada" com o que chamou de "ensaio de quase pugilato" entre Dilma e Serra. "Temos que ir aos fatos", afirmou.

Marina também deixou sua farpa durante o debate. Ao falar sobre urbanização, a candidata do PV criticou o fato de o tucano Serra ter apresentado uma favela "virtual" em seu programa na TV, quando existem tantas favelas "reais" no país.

Reforma
Os três candidatos também mostraram ter opiniões divergentes a respeito da reforma política, um dos temas mais explorados durante o debate.

O assunto foi levantado já no início do encontro pela candidata Marina Silva, que defendeu a reforma por meio da instalação de uma assembleia constituinte exclusiva para esse propósito.

Segundo ela, o sistema atual é baseado em alianças que se beneficiam de um processo "viciado ao fisiologismo" e que, por essa razão, o debate sobre uma possível reforma não pode ser feito no ambiente "tradicional" dos congressistas.

"Já são dois ex-presidentes que tentaram a reforma política, e não foi possível por causa da base de alianças que se beneficiam desse processo", disse a candidata. "Por isso, defendo a constituinte exclusiva", acrescentou.

Logo em seguida, Dilma disse também ser a favor da reforma, mas acrescentou que a convocação de uma assembleia constituinte não é a "única opção".

"Podemos fazer a reforma através de uma legislação específica", disse a candidata, citando a proposta do governo atual de mudar o sistema de financiamento público de campanha.

Já Serra foi mais crítico em relação à reforma política. Na opinião do tucano, "essa história não leva a nada" e a solução está na implantação do voto distrital.

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