Internautas pressionam candidatos sobre aborto, alianças e doações

No primeiro debate entre presidenciáveis transmitido somente pela internet, coube aos internautas trazer à tona as perguntas mais delicadas a três dos principais candidatos à Presidência.

Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) foram confrontados com questões diretas em temas como aborto, alianças políticas e doações de campanha por empresas privadas.

Uma internauta da capital paulista, por exemplo, perguntou a Dilma se ela era a favor do aborto, afirmando que a primeira versão de seu programa de governo, entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), era "favorável" à prática.

"Eu particularmente sou contra o aborto", disse a candidata. "Não acredito que tenha uma mulher que seja favorável", acrescentou.

Dilma disse, no entanto, que o assunto é de "saúde pública" e que é preciso haver um "equilíbrio" entre as legislações que estão em vigor sobre o aborto e sobre direitos da mulher.

Um outro internauta perguntou a José Serra se ele era um "candidato das elites" por estar aliado ao Democratas, um partido "vinculado ao coronelismo".

O tucano rejeitou o rótulo, dizendo ter origem "humilde" e chamando atenção para políticas voltadas ao trabalhador defendidas por ele durante seus mandatos eletivos.

"O piso salarial do Estado de São Paulo é maior do que o salário mínimo. Minha vida foi voltada aos menos beneficiados", disse.

Na vez de Marina Silva, um dos internautas quis saber da candidata do PV se, em sua avaliação, as empresas privadas doavam dinheiro a políticos por "amor ao Brasil".

A candidata, que como os outros recebe doações de pessoas jurídicas, disse que responderia "com tranquilidade".

"Se as doações não são feitas com amor, que sejam com pudor, pudor pela legislação", disse Marina, acrescentando que "não faria caixa dois".

Jornalistas
Na última parte do debate, jornalistas convidados pelo jornal Folha de S. Paulo e pelo portal UOL também puderam fazer perguntas diretamente aos três candidatos.

Em uma delas, Serra foi confrontado com o fato de criticar os aliados do presidente Lula, entre eles o PMDB, quando o tucano também já foi aliado a esse partido, no passado.

Segundo Serra, "os erros acontecem com todos", acrescentando, no entanto, que existe uma "diferença: a maneira com que os erros são tratados".

"Não passo a mão na cabeça de quem faz atrocidades, como o 'dossiê dos aloprados' contra mim", disse o tucano.

Questionada sobre sua posição no segundo turno das eleições, caso não chegue à próxima etapa, Marina Silva disse não ver "muita diferença" entre Serra e Dilma e acabou não respondendo à questão.

"Ambos são bons gerentes. Ambos são muito bons na esgrima. Mas não foram capazes de atualizar seus pensamentos", disse.

Já Dilma Rousseff foi questionada por um problema pessoal. Um dos jornalistas quis saber como anda a saúde da candidata, que enfrentou um câncer no ano passado.

"Eu me considero totalmente reestabelecida. Ao enfrentar uma campanha presidencial, de fato, a gente escala todo dia o Everest. Essa é uma doença que a gente não pode ter preconceito. É uma doença curável", disse.

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