Brasil melhora em índice de qualidade de vida de crianças

O Brasil acompanhou a tendência de outros 126 países ao melhorar, na última década, seu Índice de Desenvolvimento Infantil (CDI, na sigla em inglês) - indicador medido pela ONG internacional Save the Children, com sede em Londres.

A pesquisa leva em consideração uma série de fatores agrupados sob três áreas principais: saúde, educação e nutrição.

Entre os cinco primeiros colocados no ranking estão Japão, Espanha, Alemanha, Itália e França, e os cinco últimos são República Democrática do Congo, Burkina Faso, Chade, Níger e Somália - todos eles países africanos.

O Brasil ficou atrás de países como Argentina, México, Chile, Cuba, e a grande maioria dos países europeus. Mas, à frente de nações como Paraguai, Bolívia, Irã, Emirados Árabes Unidos e muitos africanos.

Entre os Brics, a China foi a melhor colocada, na 29ª posição, seguida pelo Brasil (36ª), Rússia (37ª), África do Sul (84ª), e Índia (112ª).

A ONG explica que brasileiros, russos e sul-africanos demonstram coerência entre o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), medido pela ONU, e os avanços das crianças.

Já no caso da China, a prioridade dada à educação e saúde infantil faz com que o país se saia muito bem no CDI mesmo tendo ainda índices mais baixos de IDH.

Comparando Índia e China, o estudo diz que ambos têm altos índices de frequência escolar. Cerca de 40% das crianças indianas estão abaixo do peso, enquanto na China o índice é menor que 5%.

Na Índia, a taxa de mortalidade de crianças com menos de cinco anos excede a de 60 a cada 1.000, na China o número fica abaixo de 20.

Para Mark Doyle, analista da BBC para Desenvolvimento Internacional, o relatório traz boas notícias ao indicar que um terço das crianças do mundo estão indo à escola e as chances de uma criança morrer de fome diminuíram em um terço.

"Mas o relatório também avisa que a subnutrição está aumentando devido aos altos preços dos alimentos e desigualdade global, o que é um problema mais escondido e mais difícil de lidar", dis Doyle.

Ele ressalta ainda o pedido da Save the Children ao primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, para que utilize a "Cúpula da Fome", que será realizada durante as Olimpíadas de Londres, para melhorar o bem-estar das crianças.

Ricos X Pobres

Na visão da organização, o balanço geral da primeira década do século é bastante positivo em relação ao período entre 1990 e 2000.

O estudo apurou que 127 países melhoraram seus índices e que entre 2005 e 2010, cerca de 9.000 crianças foram poupadas da morte antes dos cinco anos, em comparação à cifra de 1995 a 1999.

Comparando os mesmos períodos, 50 milhões de crianças a mais estão na escola primária e o mundo já tem 36 milhões de crianças abaixo do peso a menos.

São números positivos em relação aos anos 1980, por exemplo, quando os níveis de desnutrição infantil eram alarmantes, sobretudo nos países em desenvolvimento. Mesmo assim, a Save the Children diz que 1,5 milhão de crianças a mais sofrem de desnutrição em relação ao início dos anos 2000.

"Desde o final dos anos 1990 o bem-estar das crianças melhorou em 90% dos países pesquisados. Em média, as vidas das crianças em torno do mundo melhoraram em mais de 30%. O avanço ocorreu tanto em países desenvolvidos quanto em desenvolvimento", indica o estudo.

"No entanto, enquanto a taxa de progresso foi mais rápida nos países desenvolvidos na virada do século (16%, comparada a 12% em países em desenvolvimento), na primeira década dos anos 2000 os países em desenvolvimento aceleraram seu progresso (a até 22%) e ultrapassaram os mais ricos, onde a taxa de avanço ficou em 9%".

De acordo com a ONG, esse movimento ajudou a suplantar a barreira entre ricos pobres.

Na África, embora o continente ainda seja o responsável pelas piores posições no ranking, a tendência de avanço já é percebida.

"Na África, uma das regiões com a performance mais fraca no bem-estar infantil, o progresso individual de alguns países apresenta um retrato fragmentado. Enquanto cinco dos 11 países que registraram os principais progressos estão na África, seis dos dez países no final do ranking também estão no continente", diz o estudo.

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