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Campanha na Venezuela: frases revelam diferenças entre herdeiro de Chávez e opositor

Nicolás Maduro participa de comício eleitoral na cidade de Maturn, no Estado de Monagas - Comando Hugo Chavez/Efe
Nicolás Maduro participa de comício eleitoral na cidade de Maturn, no Estado de Monagas Imagem: Comando Hugo Chavez/Efe

09/04/2013 05h31

Visões ideológicas opostas disputam a Presidência da Venezuela no próximo domingo, 14 de abril.

O voto popular decidirá se o país seguirá sendo governado pelo socialismo bolivariano de Hugo Chávez, que morreu de câncer no mês passado após passar 14 anos no poder, ou se adotará uma proposta de regeneração democrática inspirada no modelo "social-brasileiro" defendida pela oposição.

Nicolás Maduro, de longa trajetória na luta sindical, foi motorista de ônibus e já proclamou sua admiração por Cuba. Henrique Capriles, advogado educado nos EUA, provem de uma família de grandes empresários.

Pesquisas de intenção de voto sugerem que Maduro, presidente em exercício e que foi indicado pelo próprio Chávez como seu herdeiro político, tem uma vantagem de ao menos dez pontos percentuais sobre seu rival.


Advogado e político, Capriles, de 40 anos, afirma que, se eleito, pretende encorajar a livre economia de mercado sem deixar de lado as políticas sociais.

O opositor se diz inspirado pelo modelo de governo do ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, cujo governo obteve crescimento econômico e tirou parte da população da pobreza extrema.

Eles encarnam o paradigma do choque de tendências da política venezuelana. Mas, medidos palavra por palavra, eles são tão diferentes entre si? Confira o gráfico da BBC:

Os candidatos

 Nicolás MaduroHenrique Capriles
O que eles repetem"Viva Chávez""Nicolás, o problema é você"
Prioridades"Vou lançar uma grande missão para refundar todo o sistema elétrico. Em 15 de abril, vou decretar o sistema elétrico como serviço de segurança nacional.""Vou decretar o aumento do salário mínimo, pelo menos em 40%. Minha primeira medida será o aumento geral de salários para começar a recuperar o poder aquisitivo (da população)."
De onde vêm"Sou filho do comandante Chávez, sou descendente de índias. Minhas duas lindas avós eram mais índias do que negras. Não sou um burguês fariseu e farsante. Sou Maduro, índio e trabalhador.""Minha avó chegou à Venezuela fugindo da Segunda Guerra Mundial, da perseguição nazista. Sou cristão, católico e devoto de Maria, minha mãe é judia e a minha avó, descanse em paz, também era. Meus bisavós morreram em um campo de concentração nazista e minha avó esteve no gueto de Varsóvia."
Rótulos"Nos chamam de oficialistas.Quero dizer que nossos sobrenomes são Chávez Frías. Não somos oficialistas, somos chavistas, bolivarianos e cristãos!""Nós não somos a oposição, somos a solução."
Segurança"Não podemos seguir sendo vítimas da criminalidade, do narcotráfico, que o capitalismo meteu por décadas na cabeça da juventude. Várias gerações de jovens sofreram desse problema.""A violência está destruindo tudo sem se importar com ideologias políticas. Quando escutamos quem é responsável por governar este país percebemos que não há possibilidade de eles derrotarem a delinquência. Quando um governo não faz, é hora de o povo trocá-lo."
Sobre pássaros"O passarinho me olhou de forma estranha, assobiou um pouquinho, me rodeou e foi embora. Eu senti o espírito dele (Chávez) como que nos dando uma bênção.""Acho que o candidato oficialista não viu um passarinho, mas sim engoliu um passarinho, que é o que tem na sua cabeça."
Forças Armadas"Temos Forças Armadas patriotas e socialistas. Não dá para querer ser patriota e amar esta pátria sem ser anti-imperialista, sem ser socialista. Seria como um peixe sem água.""Nunca mais um militar terá que vestir a farda de um partido político. Senhores do governo cubano, quando eu for comandante chefe, os militares cubanos sairão das nossas Forças Armadas. Não haverá ingerência de nenhum país."
Economia"Precisamos de uma economia produtiva, rumo ao socialismo, com responsabilidade, solidariedade e garantias para um povo que tem direito à felicidade e à vida.""Cada dia o dinheiro rende menos, e não nos dão soluções. O governo hoje não tem propostas, enquanto a economia piora e o salário compra menos."
Escassez de produtos"Os restos da velha oligarquia e burguesia usam o que lhes resta de poder para sabotar, monopolizar os alimentos e os produtos. Vamos aumentar os operativos de inspeção (de preços).""Não tem farinha, papel higiênico. Mas para Nicolás o problema é que o povo está comprando muito. Me digam a quantos venezuelanos sobra dinheiro para fazer compras em excesso. Isso é mentira."
Chávez"Não sou Chávez, mas sou seu filho. E todos juntos, o povo, somos Chávez.""Nunca vejo um irmão como um inimigo. Disputamos, e o presidente obteve mais votos que eu e isso foi reconhecido. Sinto um profundo respeito por sua memória e por sua família, ainda que tenham dito algo diferente."