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Internacional

Israel alerta cem mil palestinos a deixarem casas e intensifica ataques a Gaza

16/07/2014 05h18Atualizada em 16/07/2014 07h52

Israel alertou nesta quarta-feira (16) milhares de palestinos no leste e norte de Gaza para que deixem suas casas em meio à intensificação da ofensiva aérea contra alvos de militantes.

Mapa Israel, Cisjordânia e Gaza - Arte/UOL - Arte/UOL
Mapa mostra localização de Israel, Cisjordânia e Gaza
Imagem: Arte/UOL

A operação, que Israel diz ter como objetivo interromper o lançamento de foguetes contra seu território, foi iniciada há oito dias e já deixou 204 palestinos mortos, segundo autoridades. A ONU advertiu que a maioria das vítimas é civil.

Na terça-feira, Israel registrou sua primeira morte - um homem de 38 anos atingido por um morteiro disparado desde Gaza, segundo a imprensa.

Israel retomou seus ataques aéreos com o fracasso de uma tentativa do Egito de mediar um cessar-fogo na terça-feira, e disse que militantes dispararam dezenas de foguetes demonstrando que não respeitariam o cessar-fogo.

O gabinete de segurança de Israel havia aprovado o acordo, mas o Hamas inicialmente rejeitou-o, dizendo que os termos não contemplavam o bloqueio à Gaza, que tem causado uma profunda crise econômica no território.

Uma autoridade do Hamas disse à BBC que o grupo analisaria uma solução política para a crise.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse "não ter escolha" a não ser intensificar a campanha militar.

"Se não há um cessar-fogo, nossa resposta é fogo", disse. "Este (problema) poderia ser resolvido melhor diplomaticamente, e isto foi o que tentamos fazer quando aceitamos a proposta egípcia, mas o Hamas nos deixa sem escolha a não ser ampliar e intensificar nossa campanha contra eles".

Mais de 140 foguetes

O Exército israelense usou mensagens telefônicas gravadas para alertar 100 mil residentes de Gaza a deixarem suas casas no início da manhã de quarta-feira. Dez pessoas teriam morrido no território durante ataques noturnos.

Israel também atacou a casa de uma autoridade do Hamas no oeste de Gaza. Mahmud al-Zahar, membro do conselho político do grupo, não estava no local no momento do ataque.

A agência da ONU para refugiados palestinos disse na terça-feira que centenas de milhares de palestinos estão sem acesso à água após os ataques israelenses e que 560 casas haviam sido destruídas.

Militantes palestinos dispararam mais de 140 foguetes contra Israel na terça-feira, segundo o Exército israelense, e mais de 1.100 mísseis nos úlitimos oito dias.

Israel tem mobilizado dezenas de milhares de soldados na fronteira com Gaza em meio a especulações sobre a possibilidade de uma ofensiva terrestre.

A porta-voz do Departamento de Estado americano Jen Psaki disse que Israel tem o direito de se defender, mas afirmou que "ninguém quer uma guerra terrestre".

Fim do bloqueio

Um porta-voz do Hamas, Osama Hamdan, disse à BBC ter tomado conhecimento da iniciativa do Egito pela imprensa e que um cessar-fogo não poderia ser implementado sem que os detalhes fossem divulgados.

O braço armado da Hamas, as Brigadas Izz al-Din al-Qassam, rejeitou a proposta, dizendo que seu confronto com Israel cresceria em "intensidade e ferocidade".

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Sob os termos da iniciativa do Egito, o cessar-fogo seria seguido de uma série de reuniões em Cairo com delegações de ambos os lados.

Moussa Abu Marzouk, um importante oficial do Hamas, disse que nenhuma decisão havia sido tomada. Mas, em entrevista à TV libanesa, afirmou que "o bloqueio à Gaza deve ser suspenso e a população local deve viver com liberdade como todas as outras pessoas do mundo".

Outro líder do Hamas em Gaza, Mushir al-Masri, disse à agência Associated Press que seria preciso mediadores e garantias internacionais para que qualquer acordo funcione.

Netanyahu foi criticado por ter aceitado a proposta egípcia. O gabinete do premiê anunciou que o vice-ministro da Defesa, Danny Danon, foi exonerado por tê-lo chamado de "fracasso".

"É inaceitável que o vice-ministro da Defesa ataque a liderança do país que comanda a campanha", disse um comunicado.

Conheça os pontos da negociação entre Israel e palestinos

  • Reprodução/BBC

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    Os palestinos querem um Estado plenamente soberano e independente na Cisjordânia e na faixa de Gaza, com a capital em Jerusalém Oriental. Israel quer um Estado palestino desmilitarizado, presença militar no Vale da Cisjordânia da Jordânia e manutenção do controle de seu espaço aéreo e das fronteiras exteriores

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    Os palestinos querem que Israel saia dos territórios que ocupou após a Guerra dos Seis Dias (1967) e desmantele por completo os assentamentos judeus que avançam a fronteira, considerados ilegais pela ONU. Qualquer área dada a Israel seria recompensada. Israel descarta voltar às fronteiras anteriores a 1967, mas aceita deixar partes da Cisjordânia se puder anexar os maiores assentamentos.

  • Cindy Wilk/UOL

    Jerusalém

    Israel anexou a área árabe da Jordânia após 1967 e não aceita a dividir Jerusalém por considerar o local o centro político e religioso da população judia. Já os palestinos querem o leste de Jerusalém como capital do futuro Estado da Palestina. O leste de Jerusalém é considerado um dos lugares sagrados do Islã. A comunidade não reconhece a anexação feita por Israel.

  • Agência da ONU de Assistência aos Refugiados Palestinos

    Refugiados

    Há cerca de 5 milhões de refugiados palestinos, a maioria deles descendentes dos 760 mil palestinos que foram expulsos de suas terras na criação do Estado de Israel, em 1948. Os palestinos exigem que Israel reconheça seu "direito ao retorno", o que Israel rejeita por temer a destruição do Estado de Israel pela demografia. Já Israel quer que os palestinos reconheçam seu Estado.

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    Israel controla a maioria das fontes subterrâneas da Cisjordânia. Os palestinos querem uma distribuição mais igualitária do recurso.

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