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Internacional

Investigadores relatam tiros e não conseguem acesso aos destroços do voo MH17

28/07/2014 18h24

Confrontos no leste da Ucrânia impediram, pelo segundo dia consecutivo, que uma força policial internacional chegasse ao local da queda do voo MH17. A delegação, composta de oficiais holandeses e australianos, foi retida em Shakhtarsk, cidade a 30 km de onde estão os destroços.

O Exército ucraniano disse, nesta segunda-feira, que conseguiu recapturar duas cidades próximas aos destroços, em tentativa de recuperar terreno tomado por rebeldes pró-Rússia. Muitos moradores fugiram dali.

"Estamos cansados de sermos interrompidos por trocas de tiros, apesar de termos acordado que deveria haver um cessar-fogo", queixou-se Alexander Hug, vice-chefe da equipe da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) que está na Ucrânia.

Eles tentam proteger o local para que os destroços e os restos humanos possam ser examinados por especialistas forenses internacionais, para que tente-se determinar a causa do acidente.

Nesta segunda-feira, autoridades ucranianas afirmaram que os registros do voo mostram que ele sofreu uma perda repentina de pressão após ser atinigido por estilhaços de um míssil. Andrei Lysenko, porta-voz de segurança do governo, alega que essa informação foi obtida pelos registros das caixas-pretas do avião, que estão sendo analisados por especialistas britânicos.

Ainda não está claro, porém, quem disparou o míssil que atingiu o avião - o governo ucraniano e rebeldes pró-Rússia trocam acusações entre si.

Investigadores da Holanda - país de origem da maior parte das 298 vítimas do MH17 - não comentaram as alegações ucranianas. A Holanda deve divulgar seu próprio relatório, mais detalhado, até o final da semana, com tudo o que se sabe até agora.

Limitações

De qualquer forma, as caixas-pretas só contarão parte da história, explica o repórter da BBC Richard Westcott, especializado em transportes.

Projetado para identificar problemas mecânicos, o aparelho obviamente não vai mostrar a origem do míssil que, tudo indica, derrubou o avião. Poderá dar indícios de que houve uma descompressão na aeronave, mas provavelmente sem apontar os motivos. E as gravações de voz poderão ter registrado o barulho de alguma explosão externa.

Para entender a sequência de eventos que levou à tragédia, os especialistas terão de analisar os destroços, os corpos e as imagens de satélite dos EUA que, segundo Washington, mostram que um míssil foi disparado de território rebelde dentro da Ucrânia.

Ainda nesta segunda-feira, a alta comissária da ONU para Direitos Humanos, Navi Pillay, disse que a derrubada do MH17 pode constituir um "crime de guerra".

Pedindo uma investigação "independente e imparcial" sobre a tragédia, Pillay afirmou que o mais recente relatório da ONU sobre o conflito na Ucrânia indica que ao menos 1,1 mil pessoas foram mortas e 3,4 ficaram feridas na região desde meados de abril. Outras 200 mil foram deslocadas, muitas delas escapando para a Rússia.

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