Como os químicos planejam 'farejar' bombas

Os extremistas suicidas que detonaram bombas nos ataques a Paris em novembro do ano passado usaram um tipo de explosivo relativamente fácil de se fabricar em casa.

Mas químicos estão se esforçando para desenvolver sensores que possam "cheirar" essas substâncias.

O explosivo, tricetone triperóxido (TATP), é produzido a partir da combinação de substâncias químicas vendidas em farmácias e lojas de materiais de construção.

"Qualquer pessoa capaz de seguir uma receita de torta de abóbora consegue seguir a receita para fazer TATP", segundo Kenneth Suslick, professor de química da Universidade de Illinois.

Por causa disso os extremistas acham a substância tão interessante. Homens-bomba de todo o mundo usaram TATP.



Sensores

Pesquisadores estão tentando explorar uma característica física do TATP conhecida como pressão de vapor.

A TATP pode se transformar em gás rapidamente. Assim, em teoria, um homem-bomba usando um colete com TATP emitiria partículas gasosas que poderiam disparar alarmes.

O grupo do professor Suslick desenvolveu um scanner de mão que detecta TATP e outros explosivos quando eles reagem com um conjunto de sensores. O trabalho dele é financiado pelo departamento de Defesa dos Estados Unidos.

Quando moléculas de TATP entram no sensor, elas encontram um catalizador ácido sólido. O ácido converte o TATP de novo em suas substâncias originais, acetona e peróxido de hidrogênio.



O peróxido de hidrogênio, um agente oxidante instável, depois reage com moléculas corantes dentro do sensor - mudando assim de cor.

Ao detectar essa mudança de cor, o sensor portátil super sensível pode detectar até duas partes de TATP por bilhão.

Além disso, em um estudo publicado recentemente no jornal científico Chemical Science, a equipe de Suslick descreve um sensor ainda mais avançado - que usa diversos indicadores químicos de mudança de cor.

Esse novo sensor é capaz de detector uma dúzia de diferentes explosivos.

Otto Gregory, professor de engenharia química da Universidade de Rhode Island, diz acreditar que Suslick desenvolveu uma boa tecnologia. Isso não impediu que se seu próprio laboratório trabalhasse na questão.

Proposta diferente

Financiado pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, o grupo de Gregory publicou uma pesquisa no jornal científico ECS Transactions que descreve uma técnica totalmente diferente para detectar o TATP.

Esse sensor emprega um catalisador de óxido de estanho. Quando o TATP interage com o catalizador, ele produz um calor que é detectado por um sensor.



Cães farejadores podem ser treinados para achar TATP, mas os sensores químicos são mais confiáveis.

"Os cães têm um problema. Eles querem agradar seus donos então têm a tendência de dar falsas respostas positivas se as coisas estiverem monótonas, só por causa da atenção", disse Suslick.

"Em segundo lugar, a atenção deles pode vagar, assim como a minha ou a sua", disse.

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