Cerco a hotel em Burkina Faso termina com reféns mortos

Pelo menos 23 pessoas de 18 nacionalidades diferentes teriam morrido após extremistas islâmicos realizarem um ataque contra um hotel de luxo em Burkina Faso, no oeste da África, na noite de sexta-feira.

Militantes ligados à Al-Qaeda atacaram o Splendid Hotel na capital do país Ouagadougou, além de um café e de outro hotel nas proximidades.

Quatro extremistas foram mortos, dois dos quais seriam mulheres.

O fim do cerco ao Splendid foi anunciado pelo governo após um operação conjunta com militares franceses.

A Al-Qaeda no Magreb Islâmico (AQIM, na sigla em inglês) reivindicou a autoria do atentado.

Segundo o Instituto de Busca por Entidades Terroristas Internacionais (SITE, na sigla em inglês), o ataque teria sido realizado pelo grupo al-Murabitoun. A organização islamita é baseada no norte do Mali (deserto do Saara) e possui combatentes leais ao veterano argelino Mokhtar Belmokhtar.

No mês passado, o grupo anunciou a fusão com a AQIM.

Sob forte esquema de segurança, o presidente de Burkina Faso, Roch Kabore, divulgou o saldo de mortos e a libertação de 150 reféns em frente ao hotel na manhã deste sábado.

Já o presidente da França, François Hollande, condenou o que chamou de ataque "odioso" à capital da ex-colônia francesa.

Em novembro do ano passado, um atentado semelhante realizado pela AQIM a um hotel na capital do Mali, Bamako, deixou 19 mortos.

Em outro desdobramento, dois austríacos, um médico e sua mulher, foram sequestrados na noite de sexta-feira no norte de Burkina Faso próximo à fronteira com o Mali, informaram autoridades burquinenses.

O ataque ao hotel e ao café ocorreu no mesmo dia. Testemunhas relatam ter ouvido tiros e explosões. Os dois locais são frequentados em sua maioria por funcionários da ONU e estrangeiros.

O ministro do Interior, Simon Compaore, disse que dez corpos foram encontrados na área externa do café.

Ele acrescentou que pelo menos 33 reféns ficaram feridos. Entre os que foram libertados está o ministro de ministro de Serviço Civil, Trabalho e Previdência de Burkina Faso, Clément Sawadogo.

Assim que o fim do cerco ao hotel Splendid foi anunciado, extremistas invadiram outro hotel nas proximidades.

Segundo autoridades, um dos extremistas foi morto no local.

Mais cedo, em entrevista à BBC, o ministro das Comunicações de Burkina Faso, Rémi Dandjinou, afirmou que entre seis e sete militantes haviam realizado o atentado contra o Splendid. Segundo Dandjinou, eles se hospedaram no hotel.

Já o ministro do Interior, Simon Campaore, disse que dois africanos e um árabe estavam entre os militantes mortos.



'Fragilidade política'

Localizada no oeste da África e de maioria muçulmana, Burkina Faso tem cerca de 15 milhões de habitantes. Grande parte da economia do país está ligada à agricultura e à mineração.

Em outubro de 2014, uma revolução popular liderada por jovens derrubou o então presidente, Blaise Compaoré, que governava o país desde 1987. A revolta foi uma resposta à tentativa de Campaoré de mudar a constituição, o que lhe permitiria candidatar-se novamente à presidência.

Campaoré fugiu para a Costa do Marfim e renunciou ao cargo do exílio. Uma república semi-presidencialista foi instaurada no país, mas em 17 de setembro do ano passado, acabou deposta por um golpe militar.

Dias depois, devido à crescente pressão da União Africana, uma junta militar aceitou renunciar ao poder e reinstaurar Michel Kafando como presidente em exercício.

"Burkina Faso ainda vive o contexto de fragilidade política, então acredito que o momento em que o atentado ocorreu é bastante significativo", afirmou à BBC Cynthia Ohayon, analista da consultoria International Crisis Group.

"O país faz fronteira com o Mali e com o Níger, e sabemos que há grupos armados presentes ali".



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