Jogo é retirado do ar por 'incentivar' assassinato de aborígenes na Austrália

Um jogo foi retirado das lojas virtuais do Google e da Apple após ser alvo de uma petição virtual por incentivar a morte de aborígenes na Austrália.

Em Survival Island 3: Australia Story 3D, os jogadores precisam sobreviver às condições adversas do deserto australiano. Entre caçar canguros e se defender do ataque de jacarés, eles são desafiados a matar aborígenes, pelos quais recebem recompensas, como armas e comida.

O abaixo-assinado, que obteve mais de 60 mil assinaturas, foi criado pela australiana Georgia Mantle. Na petição, Mantle diz que o jogo promove violência racial e estereótipos negativos sobre a população aborígene.

Em entrevista à rede de TV australiana ABC, ela afirmou que o app "gerava entretenimento a partir do assassinato de pessoas baseadas em sua raça".

"Por que as lojas virtuais permitiriam em seus servidores um aplicativo que é tão descaradamente racista e promove a violência racial?", questionou ela à emissora.

Um porta-voz do Google ouvido pela ABC disse que a empresa não faz comentários sobre apps individualmente, mas acrescentou que todos os aplicativos que violem suas regras são removidos.

Já a Apple afirmou que o jogo não se encontra mais disponível no iTunes.

A descrição do app promete aos usuários uma "experiência inesquecível".

"Seu objetivo é sobreviver. Você vai ter de lutar contra aborígenes...Será uma experiência inesquescível; então divirta-se!"

O ministro das Comunicações da Austrália, Mitch Fifield, disse que solicitaria mais informações sobre as circunstâncias do lançamengo do jogo.

"Estou chocado que alguém desenvolva um "jogo" desse tipo e que alguma plataforma aceite hospedá-lo", disse.

"Pedi a minha equipe que me forneça detalhes sobre o lançamento do jogo, além de investigar outros jogos do mesmo desenvolvedor", acrescentou.

Já o Comissário para a Discriminação Racial da Austrália, Tim Soutphommasane, pediu às pessoas que se sentiram ofendidas pelo jogo de fazer uma reclamação oficial.

"É inaceitável vermos tal promoção de violência e ódio contra o povo aborígene", disse ele.

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