Como surgiram as suspeitas de manipulação de resultados na elite do tênis

Simon Cox

BBC

Documentos obtidos com exclusividade pela BBC e pelo site BuzzFeed News revelam suspeitas de um amplo esquema de manipulação de resultados na elite do tênis mundial, incluindo em Wimbledon, um dos mais importantes torneios do esporte.

Na última década, 16 tenistas que já fizeram parte do seleto grupo dos 50 melhores do mundo foram por várias vezes mencionados pela Unidade de Integridade do Tênis (TIU, na sigla em inglês) sobre suspeitas de que teriam combinado os resultados das partidas.

Todos os tenistas, incluindo vencedores de Grand Slam, foram autorizados, no entanto, a continuar competindo.

Desse total, oito estão participando do Australian Open, que começou nesta segunda-feira.

A BBC e o Buzzfeed decidiram não identificar os atletas porque, sem acesso a seus registros telefônicos, bancários e de computador não é possível determinar se eles participaram pessoalmente no esquema de corrupção.

A Unidade de Integridade do Tênis ? criada para fiscalizar o esporte ? afirmou ter tolerância zero à corrupção.

O conjunto de documentos encaminhado à BBC e ao Buzzfeed News inclui revelações de uma investigação iniciada em 2007 pela Associação de Profissionais do Tênis (ATP, na sigla em inglês).

O objetivo era investigar atividades suspeitas no esporte depois de um jogo entre o russo Nikolay Davydenko (ex-número 3 do mundo) e o argentino Martín Vassallo Argüello (ex-número 47).

Os dois tenistas foram inocentados das acusações, mas a investigação acabou descobrindo uma rede de apostadores associada a tenistas da elite do tênis.

O presidente da ATP, Chris Kermode, disse à BBC estar ciente de que há manipulação de resultados no tênis, mas alega que o esquema acontece "a nível extremamente baixo".



'Centenas de milhares de dólares'

Os documentos obtidos pela BBC mostram que a investigação descobriu casas de aposta na Rússia, no norte da Itália e na Sicília que movimentavam centenas de milhares de dólares em partidas que os investigadores dizem ter sido combinadas. Três delas ocorreram em Wimbledon.

Em um relatório confidencial à ATP em 2008, a equipe responsável pelo inquérito informou que 28 tenistas envolvidos nessas partidas deveriam ser investigados. No entanto, não houve prosseguimento à investigação.

A ATP introduziu um novo código anticorrupção em 2009, mas depois de ser aconselhada por advogados, foi informada de que eventuais casos antigos de corrupção não poderiam ser julgados.

"Como resultado, nenhuma investigação sobre tenistas mencionados no relatório de 2008 foi aberta", afirmou um porta-voz da TIU.

Nos anos seguintes, alertas foram enviados ao TIU sobre um terço desses tenistas Nenhum deles foi punido pela TIU.

No entanto, fontes internas decidiram encaminhar os documentos à BBC e ao Buzzfeed News.



'Evidência contundente'



A BBC entrou em contato com Mark Phillips, um dos investigadores responsáveis pelo relatório de 2007. Ele afirmou que, na ocasião, ele e seus colegas haviam descoberto indícios de combinação de resultados sobre um determinado grupo.

"Acreditávamos que havia um grupo de 10 tenistas que estava na raiz do problema e responsável pela manipulação dos resultados".

Phillips nunca havia falado publicamente sobre a investigação.

"A evidência é realmente contundente. Seria uma boa oportunidade para erradicar as principais maçãs podres".

A BBC e o Buzzfeed também receberam os nomes de outros tenistas atuais sobre os quais TIU foi alertado por suspeita de envolvimento em organizações de apostas, unidades de fiscalização e apostadores profissionais.

Grande parte desses tenistas estavam no radar das autoridades por envolvimento em partidas suspeitas desde 2003.



Presidente da ATP, Chris Kermode disse à BBC estar ciente de que há manipulação de resultados no tênis, mas alega que esquema acontece "a nível extremamente baixo"

"Foi tudo colocado debaixo do tapete", disse Been Gunn, ex-chefe de polícia que realizou uma grande investigação em manipulação de resultados no tênis. O trabalho de Gunn levou à criação da TIU.

A Associação de Segurança dos Esportes Europeia (ESSA, na sigla em inglês), que monitora as apostas das principais casas de apostas, sinalizou 50 partidas cujos resultados considerou suspeitos ao TIU em 2005.



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