A volta do Baader-Meinhof? Guerrilheiros tentaram assalto, diz polícia alemã

  • Bundeskriminalamt/BKA/BBC

    Burkhard Garweg (esq.), Daniela Klette e Ernst-Volker Staub, do Baader-Meinhof

    Burkhard Garweg (esq.), Daniela Klette e Ernst-Volker Staub, do Baader-Meinhof

Um roubo fracassado no norte da Alemanha em junho do ano passado teria sido de autoria de integrantes procurados da facção esquerdista RAF (sigla de Red Army Faction, Facção do Exército Vermelho), segundo a polícia.

A facção, também chamada de grupo Baader-Meinhof, matou mais de 30 pessoas em sua luta contra o capitalismo entre os anos 1970 e 1980.

Em 1998, o grupo divulgou uma declaração afirmando que o "projeto de guerrilha urbana" havia acabado. Porém, em junho de 2015, membros da facção atiraram contra um carro-forte, mas não conseguiram abrir suas portas e levar o dinheiro (cerca de 1 milhão de euros).

Os três abandonaram o local do crime, o estacionamento de um supermercado em Gross Mackenstedt, nos arredores de Bremen, em um veículo Ford Focus.

Ao analisarem impressões digitais e amostras de DNA, peritos identificaram os ex-membros do grupo Ernst-Volker Staub, de 58 anos, Daniela Klette, de 57, e Burkhard Garweg, de idade desconhecida.

Analistas afirmam que os ex-membros do RAF podem estar ficando sem dinheiro, na medida em que envelhecem. Eles acham menos provável que o dinheiro serviria para financiar uma nova campanha de guerrilha urbana.

O trio também é investigado por outro roubo frustrado, no mês passado, em Wolfsburg.

Roupas camufladas

De acordo com as investigações, os criminosos abordaram o carro-forte usando uma van. Eles deram marcha a ré e jogaram o alvo contra um muro.

Os três usavam máscaras e roupas camufladas. Vídeos de câmeras de segurança mostraram os homens armados com dois fuzis Kalashnikov e um lançador de granadas. Eles fizeram disparos contra os pneus, o para-brisas e a blindagem do veículo. O carro usado na fuga, um Focus, foi achado uma semana depois em uma floresta próxima a Gross Ippener, a nove minutos da cena do crime.

A ação de 2015 está agora sendo ligada a outros dois ataques, um no final de dezembro e outro há 17 anos.

O DNA de dois dos três suspeitos, Klette e Staub, teria sido achado na cena de um roubo em Duisburg, na região de Ruhr, no oeste da Alemanha em 1999. Na ocasião, os ladrões levaram 1 milhão de marcos alemães (cerca de 500 mil euros ou R$ 2,2 milhões hoje).

Despesas

No mês passado, três homens armados com um lançador de granadas atacaram outro carro-forte em Nordsteimke, perto de Wolfsburg. A ação teve características semelhantes ao do roubo de junho de 2015. O alvo era um veículo blindado que saía de um supermercado com a renda do dia. Porém, a ação foi frustrada pelo motorista, e os criminosos saíram de mãos vazias.

O promotor público Lutz Gaebel disse que há uma ligação entre as duas ações, mas não há indícios de que sejam "atividades terroristas". Ele acredita que os suspeitos queriam apenas o dinheiro para uso pessoal. A polícia alemã colocou os três na lista de procurados e oferece recompensas por pistas sobre seu paradeiro.

O que era a Facção do Exército Vermelho da Alemanha?

Nascido do movimento estudantil radical da década de 1960, o RAF era formado principalmente por jovens de classe média que acreditavam lutar contra o sistema capitalista vigente na Alemanha Ocidental e que viam o governo alemão como extensão da autoritária estrutura de Estado nazista.

Eles tinham ligações com grupos militantes radicais do Oriente Médio e escolhiam seus alvos entre banqueiros alemães, empresários, juízes e militares norte-americanos.

No auge de sua popularidade, tinham a simpatia de cerca de um quarto dos jovens da Alemanha Ocidental. Porém, eram vistos por seus críticos como niilistas assassinos: desesperados por uma causa, mas sem objetivos políticos reais.

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