Autobiografia de ex-milionário serial killer tem venda suspensa horas após lançamento polêmico

  • BCTV-Vancouver/Canadian Press/AP

    Robert Pickton foi condenado em 2007 por seis mortes

    Robert Pickton foi condenado em 2007 por seis mortes

Uma autobiografia supostamente escrita por um serial killer canadense foi retirada do mercado horas após o início das vendas na internet.

O ex-fazendeiro milionário Robert Pickton foi condenado em 2007 pelo assassinato de seis mulheres. Outras 20 acusações de homicídio contra ele foram suspensas.

Um colega de prisão ajudou Pickton a enviar o livro para fora da prisão, segundo a rede de TV canadense CTV.

A editora solicitou a retirada do livro da Amazon e se desculpou com as famílias das vítimas, de acordo com a imprensa local.

Autoridades da província de British Columbia já haviam se comprometido a evitar que Pickton lucrasse com as vendas da biografia, intitulada Pickton: In His Own Words (Pickton: em suas próprias palavras, em tradução livre).

"Não é correto que uma pessoa que causou sofrimento a tantas pessoas possa lucrar com seu comportamento", disse o ministro da Saúde Pública da província, Mike Morris.

O governo local também pediu à Amazon que interrompa as vendas do livro, publicado pela editora do Colorado (EUA) Outskirts Press, especializada em ajudar autores novatos a divulgar suas obras.

Usuários da Amazon também reivindicaram o boicote à obra - a empresa não havia comentado o episódio até a publicação desta reportagem.

Investigação

O ministro da Segurança Pública do Canadá, Ralph Goodale, disse que foi aberta uma investigação para apurar como o manuscrito de Pickton saiu da prisão de segurança máxima de Kent, onde o ex-fazendeiro está detido.

A rede CTV informou que ele conseguiu driblar os controles sobre sua correspondência ao repassar o livro a um colega de cadeia, que o enviou a um amigo.

No livro, Pickton diz ser inocente e afirma ter sido incriminado injustamente pela polícia canadense, segundo o jornal Vancouver Sun.

Ernie Crey, irmã de uma das 33 mulheres que tiveram DNA localizado em uma fazenda de criação de porcos de Pickton, disse ter ficado "profundamente perturbada" pelo livro.

Lori Shenher, que ajudou a reunir provas contra o ex-fazendeiro e escreveu um livro sobre o caso, disse esperar que o público ignore a obra "pelo bem da decência".

Pickton foi condenado à prisão perpétua, sem possibilidade de liberdade condicional por 25 anos, após inicialmente ser denunciado pela morte de 26 mulheres de um total de 69 desaparecidas.

A Justiça canadense concluiu que ele matou as mulheres em sua fazenda e alimentou os porcos com os restos mortais de algumas das vitimas.

Durante o julgamento, promotores afirmaram que Pickton havia confessado 49 mortes a um policial que se disfarçou como colega de cela.

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