'Não vou baixar a cabeça', diz Lula sobre nova fase da Lava Jato

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na tarde desta sexta-feira que "não vai baixar a cabeça" diante da deflagração da 24ª fase da operação Lava Jato, que investiga supostos favores fornecidos a ele pelas empreiteiras ligadas ao esquema de corrupção da Petrobras. "A partir da semana que vem, PT, CUT, PCdoB podem me convidar, que estarei disposto para andar esse país."

Em discurso no Diretório do PT no centro de São Paulo, Lula afirmou que a operação está usando "pirotecnia" e se disse "indignado" por terem chegado às seis horas da manhã em sua casa e pelo incômodo a sua família.

"O que vale mais é o show midiático do que a apuração séria feita pela Justiça. Se o juiz (Sergio) Moro quisesse um depoimento, era só pedir. Jamais recusaria prestar um depoimento."

A mais recente fase da Lava Jato foi iniciada na madrugada desta sexta-feira, no apartamento do ex-presidente, em São Bernardo do Campo (SP).
 

Levado por agentes para depor no aeroporto de Congonhas por volta das 8h30, o ex-presidente deixou o local no final da manhã e foi para o Diretório do PT.

Diversos endereços ligados ao fundador do Partido dos Trabalhadores, incluindo a sede do Instituto Lula e o sítio que ele frequentava em Atibaia, no interior de São Paulo, foram visitados por agentes, que também fizeram operações em endereços de um dos filhos do presidente, Fabio Luis, conhecido como Lulinha.

Segundo Ministério Público Federal no Paraná, a operação visa a "aprofundar a investigação de possíveis crimes de corrupção e lavagem de dinheiro oriundos de desvios da Petrobras, praticados por meio de pagamentos dissimulados feitos por José Carlos Bumlai e pelas construtoras OAS e Odebrecht ao ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva e pessoas associadas."

Em sua fala, Lula considerou "lamentável que uma parcela do Poder Judiciário brasileiro esteja trabalhando em associação com a imprensa". Segundo o ex-presidente, antes de investigar, a Justiça está "determinando" quem é criminoso.

Argumentos de espetacularização do caso foram rebatidas, posteriormente, pela Associação Nacional dos Procuradores da República.

"A condução coercitiva é instrumento previsto no ordenamento e foi autorizada de forma justificada e absolutamente proporcional, para ser aplicada apenas se o investigado eventualmente se recusasse a acompanhar a autoridade policial para depoimento penal", diz nota da entidade. "Ao contrário do que querem fazer crer algumas lideranças políticas, os procuradores à frente do caso atuaram de acordo com a mais rígida e cuidadosa observância dos preceitos legais, sem violência ou desrespeito aos investigados."

Ainda na entrevista coletiva, Lula falou a Marisa Letícia, a seus filhos e seus colegas do Instituto Lula e do PT.

"Quero só pedir desculpa porque, hoje nesse país, ser amigo do Lula virou uma coisa criminosa. É preciso eliminar o PT, eliminar o Lula, porque esses caras podem querer continuar no poder."

Argumentos

Lula diz que as acusações contra ele são fruto do incômodo das classes mais altas pelas políticas sociais que promoveu no país.

"Ter acesso a universidade, emprego, ao mínimo para comer, isso incomodou muita gente e tem que destruir esse avanço dos (que vêm) debaixo."

Para Lula, as buscas nas casas de seus filhos não se justificam. "Não há nenhuma explicação de por que foram atrás dos meus filhos. A não ser o fato de eles serem meus filhos."

Segundo o procurador do Ministério Público Federal Carlos Fernando dos Santos Lima, o Instituto Lula receberia doações de empreiteiras e teria pago empresas de filhos de Lula por prestação de serviços. "Estamos verificando se isso não é apenas uma triangulação para benefício final da família do Lula", disse.

Ministro da Justiça de FHC vê 'exagero' em ação da PF contra LulaDe acordo com o procurador, as seis empreiteiras investigadas no esquema da Petrobras (Odebrecht, UTC, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, OAS e Queiroz Galvão) foram responsáveis por 60% das doações feitas ao Instituto Lula entre 2011 e 2014, além de 47% das palestras pagas a LILS, empresa de Lula.

Sobre as palestras, o petista afirmou que se transformou no "conferencista mais caro do mundo junto com o Bill Clinton". E não tinha "complexo de vira-lata" para cobrar caro. "As pessoas estranham que eu cobrava US$ 200 mil, mas não estranham que o Clinton cobrou 1 milhão para vir aqui falar com a CNI."

A isso se somam os casos do sítio de Atibaia (SP) e do tríplex em Guarujá, cuja propriedade é investigada. Os promotores suspeitam que a OAS tenha reservado o imóvel no litoral para o ex-presidente e sua família, e que Lula seja dono do tríplex - o que o ex-presidente nega. Sobre o sítio, evidências apontam que a Odebrecht teria pago material para a construção do local.

Ele disse que o país está sendo "vítima do espetáculo midiático", que trata um barco de R$ 4 mil como corrupção ou um pedalinho de R$ 2 mil "que a Marisa comprou para os netos".

"Eu não posso usar a chácara porque é crime", ironizou.

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